Alemanha: número de casos de E. coli diminui, mas deve haver mais mortes

Segundo ministro da Saúde, dados mostram queda no número de infecções pela bactéria que já matou 26

BBC Brasil, BBC

08 Junho 2011 | 08h03

O número de casos de infecção pela bactéria E.coli está caindo significativamente e pode indicar que o pior do surto já passou, segundo afirmou nesta quarta-feira o ministro da Saúde da Alemanha, Daniel Bahr.  Em uma entrevista à TV alemã ARD, Bahr se disse "cautelosamente otimista" de que a situação está melhorando, mas advertiu que deve haver mais mortes, já que novos casos continuam aparecendo a cada dia.   

 

Veja também:

som UE reconhece que sistema de alerta para alimentos perigosos não funciona

forum Especialista: 'Ainda não se sabe por que essa cepa prefere adultos jovens'

video Saiba como se prevenir contra a bactéria E. coli

especial Saiba mais sobre causas e prevenção da infecção intestinal na Alemanha

"Não posso dizer que acabou, mas após analisar os últimos dados, temos uma razão razoável para esperança", disse.  O surto iniciado há duas semanas no norte da Alemanha já infectou mais de 2.400 pessoas e provocou 26 mortes. Centenas de pessoas também desenvolveram complicações renais e neurológicas.  

Críticas. O governo alemão foi duramente criticado pela forma como lidou com o caso. Inicialmente, as autoridades alemãs haviam responsabilizado pepinos importados da Espanha como a fonte da contaminação pela E.coli, mas testes não comprovaram a contaminação nos legumes.

No último fim de semana, uma fazenda produtora de brotos de feijão próxima de Hamburgo foi apontada como a origem da contaminação, mas até o momento os testes não indicaram a ligação.

O caso provocou grandes perdas aos produtores agrícolas europeus. A Rússia, principal mercado para os legumes e verduras da União Europeia, anunciou na semana passada a proibição da importação desses produtos.

Nesta terça-feira, a União Europeia propôs um fundo de 150 milhões de euros (R$ 347 milhões) para compensar os produtores pelas perdas.

Mas ministros da Agricultura dos países do bloco dizem que é necessário mais e pedem uma compensação total aos produtores pelas perdas, estimadas em até 417 milhões de euros (R$ 962 milhões) por semana.

Divulgação prematura

O comissário da União Europeia para Saúde, John Dalli, também advertiu contra a divulgação prematura de informações não comprovadas sobre a origem do surto.

"Isso espalha temores não justificados entre a população em toda a Europa e cria problemas para nossos produtores de alimentos", disse.

Mas a secretária da Saúde de Hamburgo, Cornelia Prue`fer-Storcks, defendeu a decisão das autoridades locais de divulgar uma advertência sobre os pepinos espanhóis no início da crise.

"Tínhamos uma situação diferente aqui em Hamburgo quando publicamos nossa advertência sobre os pepinos espanhóis e os removemos das prateleiras", disse ela.

"Em dois testes de laboratório tivemos resultados positivos para a E.coli, que foram confirmados duas vezes pelo laboratório do governo e pelo laboratório da União Europeia, então isso não era um processo para consideração, era imperativo (a advertência)", afirmou.

Pruefer-Storcks disse ainda que os resultados dos testes com os brotos apontados como a origem da contaminação no último fim de semana foram inconclusivos até agora.

Mas ela confirmou a posição de Bahr, dizendo que as clínicas que vêm tratando dos pacientes infectados haviam informado que "a situação está melhorando gradualmente".

"Estamos vendo os primeiros pacientes terem alta, outros estão melhorando bastante, então os primeiros raios de esperança estão no horizonte", disse.

A entidade estatal alemã responsável por controle e prevenção de doenças, o Instituto Robert Koch, disse que o número de novos casos de infecção vem caindo, mas afirmou que ainda não sabe ao certo se a situação vai se manter.

 

BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.