Divulgação
Divulgação

Alimentos adoçados artificialmente aumentam desejo de açúcar, diz estudo

Experimento foi feito com ratos por pesquisador brasileiro na Universidade de Yale

EFE

21 Fevereiro 2014 | 21h57

O consumo de alimentos e bebidas adoçados artificialmente, especialmente quando a pessoa está faminta ou cansada, aumenta as probabilidades de que logo deseje mais açúcar real, afirmou nesta sexta-feira, 21, o pesquisador brasileiro Ivan de Araújo.

Durante uma conferência nos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos sobre as diferentes respostas de recompensa aos adoçantes artificiais em relação à glicose, o professor de psiquiatria da Universidade Yale disse que a língua talvez não distingua entre adoçantes e açúcar, mas o cérebro, sim, reconhece a diferença.

Segundo um estudo publicado pelo instituto americano, o consumo de bebidas gasosas doces em todo o mundo subiu de 36 litros por pessoa por ano, em 1997, para 43 litros em 2010. Na pesquisa realizada em Yale com ratos, os pesquisadores observaram um sinal particular no cérebro que é necessário para determinar a seleção entre açúcares e adoçante.

Esse sinal modula os níveis de dopamina, um neurotransmissor químico que forma parte do sistema de recompensa no cérebro, e ocorre somente quando o organismo metaboliza o açúcar de forma que as células possam usá-lo como combustível.

No laboratório, os cientistas submeteram os ratos a provas de comportamento nas quais usaram diferentes adoçantes e açúcares e observaram as respostas químicas em seus cérebros com o sinal de recompensa. Quando os cientistas aplicaram substâncias que interferiam na conversão de açúcar em energia, o interesse dos ratos pelos adoçantes artificiais diminuiu significativamente e, com isso, baixaram os níveis de dopamina no cérebro.

Ao dar aos ratos famintos, ou seja, com baixo nível de açúcar no sangue, a opção entre adoçantes artificiais e o açúcar, eles se mostraram muito mais interessados no açúcar mesmo que o adoçante fosse mais doce que a solução açucarada.

Humanos. Araujo e seus colaboradores acreditam que é provável que se encontrem as mesmas diferenças nos humanos. "Especificamente isso implica que os humanos que, com frequência, ingerem produtos doces com baixo conteúdo de calorias quando têm fome ou estão cansados, são mais propensos a 'recair' e escolherão alternativas com alto conteúdo de calorias no futuro", disse Araujo.

Como resultado dos estudos, acrescentou o pesquisador de São Paulo graduado na Universidade de Brasília, uma solução seria a combinação de adoçantes artificiais com quantidades mínimas de açúcar de forma que o metabolismo da energia não diminua durante o tempo que se mantém baixa a ingestão de calorias.

 

 

 

Mais conteúdo sobre:
Ciência adoçantes açúcar saúde

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.