DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
Jéssica Braga já passou a usar máscara por prevenção DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Alta procura faz máscaras cirúrgicas sumirem de farmácias do centro de SP

População compra para levar em viagem ao exterior ou enviar para familiares que moram em países que estão com risco de transmissão de coronavírus; novos lotes chegarão com preços reajustados, segundo funcionários

Renata Okumura e Marcia de Chiara, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 14h27
Atualizado 27 de fevereiro de 2020 | 05h57

SÃO PAULO - Farmácias do centro da capital paulista estão sem máscaras cirúrgicas nas prateleiras. Desde o início do ano, o medo do coronavírus fez aumentar a procura pelos produtos, principalmente por parte de pessoas que estão com viagem marcada ou por quem tem parentes em países com registro de mortes e casos confirmados para a doença. Nos últimos dias, a procura aumentou ainda mais.

“Várias redes de farmácias informaram que estão com estoques  zerados ou com dificuldade de conseguir esse item”,  afirmou Sergio Mena Barreto, presidente da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), que reúne as 26 maiores redes de farmácia do País.

Barreto explicou que, antes da epidemia, a demanda por máscaras nunca foi tão alta e estava restrita a usos específicos. Mas quando eclodiu a doença na China, 30 dias atrás, a procura pelo produto aumentou muito e distribuidores não tinham máscaras para entregar.

Novos casos confirmados estão surgindo na Europa. Dezenas de novas infecções no Irã também intensificam os temores de uma propagação descontrolada do vírus no Oriente Médio. Nesta quarta-feira, 26, o Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso de coronavírus no Brasil, como havia sido antecipado na terça-feira, 25. Há outros 20 casos suspeitos.

Uma parte das máscaras vendidas no Brasil é comprada pronta da China. Outra parte é fabricada localmente, mas usa insumos produzidos no país asiático. Com o avanço da epidemia na China, o consumo interno explodiu e os produtos (máscaras prontas e insumos) deixaram de ser exportados para abastecer o mercado doméstico, disse Barreto. 

"Muitos chineses querem comprar máscaras porque vão viajar ou enviar para familiares que moram fora do Brasil. Em média, vinte pessoas passam por dia pela loja em busca de máscaras. Quando os produtos chegam, acabam no mesmo dia ou no máximo no dia seguinte. Hoje não temos mais. Algumas pessoas também ligam e outras querem encomendar", disse Ana Paula Souza Miranda, farmacêutica, de 31 anos.

A vendedora Stefani de Souza, de 28 anos, saiu às 8 horas nesta quarta-feira para comprar máscaras para os patrões que são chineses e estão com viagem marcada. "Procurei na 25 de março, no São Bento, no Anhangabaú e na República". Perto do meio-dia, ainda não tinha encontrado. "Eles vão para a China e pediram para eu comprar 50 unidades de máscaras. Não é para usar aqui. Achei que seria fácil achar, mas não é".

"Sempre que acaba comunicamos o responsável pelas compras da rede, mas nem sempre tem como enviar logo. Antes ninguém procurava por máscaras". No estabelecimento, o pacote com 100 máscaras brancas descartáveis até a semana passada custava R$ 25,90. "O novo lote, previsto para chegar até sexta-feira, 28, virá com reajuste e sairá por R$ 29,90", adiantou a farmacêutica Ana Paula.

O Grupo DPSP, dono das bandeiras Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo, informou que houve aumento de 53,5% na venda de máscaras descartáveis e de 172% de álcool em gel neste mês até a última terça-feira, em suas lojas espalhadas por seis praças, comparado com o mesmo período do ano passado. A maior taxa de crescimento de vendas de máscaras foi registrada na lojas do Grupo localizadas no Distrito Federal, com aumento de 289,3% neste mês em relação a 2019. No caso do álcool em gel, o maior avanço nas vendas ocorreu na Bahia, de 332% no período. A empresa informou, por meio de nota, que, por enquanto, não identificou a falta dos produtos na sua rede de lojas.

Quando sentiu a forte demanda por máscaras três semana atrás, Barreto contou que uma rede de farmácias de Minas Gerais reforçou os estoques  e comprou o equivalente a mais de um ano de  vendas do produto. Agora essa empresa está revendendo esse item pelo site da companhia, inclusive para outros estados.

A Extrafarma, por meio de nota, confirmou que houve aumento da procura de itens como máscara e álcool em gel e  informou que “está se preparando para a maior demanda”. Já a Descarpack, fabricante de descartáveis informou, por meio de nota, que verificou “aumento considerável” na procura por máscaras e luvas, desde o início da epidemia de coronavírus. A empresa disse que está fazendo de tudo para atender à demanda.

A assistente financeira Jéssica Braga, de 27 anos, foi uma das que passaram a usar máscara. Nesta quarta-feira, 26, ela já pegou o metrô com a proteção. “Por indicação da minha amiga, médica. Pego metrô todo dia para o trabalho, é zona de fácil contágio. Tento me prevenir como posso.”

O Estado percorreu farmácias do centro da capital paulista nesta manhã de quarta-feira. Todas disseram não ter o produto para venda e muitas sem previsão de chegada. Todos os estabelecimentos, porém, adiantaram que o novo lote virá com valor reajustado.

Somente em uma loja de produtos descartáveis na Galeria Califórnia, na Rua Barão de Itapetininga, na República, região central, o Estado encontrou dois tipos de máscaras - branca e azul - na prateleira. "A procura aumentou, mas ainda temos bastante e um novo lote de 3 mil unidades chegará nos próximos dias", disse Nilma Souza.

No estabelecimento, o pacote com 100 unidades varia de R$ 16 a R$ 25,90, dependendo do modelo. "O novo lote virá com reajuste", adiantou Nilma. Na prateleira do estabelecimento, junto com as máscaras apareciam embalagens de álcool em gel. "A procura também é grande por álcool em gel, embalagens de 500 ml e de 5 litros", afirmou Nilma. O pote com 500 ml é vendido por R$ 9,5 e o galão de 5 litros, por R$ 44.

Para se precaver, a ascensorista Maria José, de 57 anos, aproveitou e comprou máscaras descartáveis e álcool em gel. "Já temos um caso confirmado no Brasil. Dá receio. Vou usar porque trabalho dentro de elevador. Vou comprar para mim e minha família. Espero que tenham máscaras para toda a população, em caso de necessidade".

Em outra farmácia, o auxiliar da loja Cleidiomar Barreto, de 30 anos, afirmou que não havia previsão para a chegada de mais máscaras. "Desde que surgiram informações do coronavírus, a procura aumentou. Querem encomendar. Muitos asiáticos procuram para mandar para familiares que moram fora porque lá também está em falta. Vamos até colocar uma placa na frente da loja avisando que não temos unidades para vender no momento".

Para Entender

Coronavírus: veja o que já se sabe sobre a doença

Doença está deixando vítimas na Ásia e já foi diagnosticada em outros continentes; Organização Mundial da Saúde está em alerta para evitar epidemia

A administradora Rosana Kamia, de 47 anos, foi uma das clientes que veio até a loja em busca de máscaras. "Estou procurando máscara para uso pessoal. Tenho receio, por causa da doença, mas não encontrei em nenhuma farmácia".

Algumas redes farmacêuticas avisam seus clientes por Whatsapp sempre que chega um novo lote. "Enviamos uma mensagem aos consumidores que nos pedem encomenda. A última cliente veio esses dias porque precisava comprar para mandar para o filho que mora na Itália. Ela disse que ele não encontrou mais no país. Assim que avisamos, ela veio comprar", disse o auxiliar de farmácia Ewerton Vinicius, auxiliar de farmácia, de 26 anos. "Já fizemos novos pedidos, mas sem previsão de chegada. Por causa do carnaval, também atrasou". 

Devo usar máscaras? Quando buscar atendimento médico?

Infectologistas ouvidos pelo Estado recomendaram ainda que a população não entre em pânico e que, em caso de doenças respiratórias, só busque atendimento médico se sintomas como febre, tosse e coriza persistirem.

Como evitar o coronavírus

De acordo com o Ministério da Saúde, medidas podem ser incorporadas no dia a dia para reduzir o risco de contaminação e transmissão do vírus.

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por, pelo menos, 20 segundos. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes
  • Ficar em casa quando estiver doente
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência

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Ministério da Saúde confirma 1º caso de coronavírus; há 20 outros casos suspeitos

Medidas de controle e prevenção continuam as mesmas; os casos suspeitos estão espelhados em Paraíba (1 caso), Pernambuco (1), Espírito Santo (1), Minas Gerais (2), Rio de Janeiro (2), São Paulo (11) e Santa Catarina (2)

Mateus Vargas e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 12h07
Atualizado 01 de abril de 2020 | 14h44

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde confirmou na manhã desta quarta-feira, 26, o primeiro caso de coronavírus no Brasil, como havia sido antecipado na terça, mas informou que as medidas adotadas de vigilância e controle devem continuar as mesmas que já vinham sendo adotadas, uma vez que o País já havia decretado estado de emergência em saúde pública de interesse nacional. Há outros 20 casos suspeitos.

Em coletiva à imprensa, o ministro Luiz Henrique Mandetta afirmou que neste momento está sendo feito um trabalho de mapeamento para identificar todos os passos e contatos deste primeiro paciente.

O homem, de 61 anos, ficou na Itália entre 9 e 20 de fevereiro. Ele chegou a São Paulo no dia 21 vindo de aeroporto Charles Charles de Gaulle, em Paris, sem sintomas, como tosse, febre ou gripe. No domingo, ele fez uma reunião familiar com 30 pessoas e foi quando começou a sentir os primeiros sintomas; na segunda-feira, 24, ele procurou o Hospital Albert Einstein.

“Em função do nexo com a Itália, o pronto-atendimento teve padrão de excelência. Coletou o material. E ao confirmar que era positivo, fizemos a contra-prova, por controle, mas já adotamos todas as medidas de prática de atenção da saúde”, afirmou Mandetta. O ministro elogiou a rapidez com que o Instituto Adolfo Lutz confirmou a contaminação em apenas algumas horas.

“Mudamos a definição de casos (para incluir mais países em que a origem seria suspeita de risco) às 17h30 da segunda e ele procurou o Einstein às 19h30”, disse Wanderson Kleber de Oliveira, da Secretaria de Vigilância em Saúde. Segundo ele, os 20 casos suspeitos estão espalhados por: Paraíba (1 caso), Pernambuco (1), Espírito Santo (1), Minas Gerais (2), Rio de Janeiro (2), São Paulo (11) e Santa Catarina (2). Já foram descartadas 59 suspeitas

Desses 20, 12 viajaram da Itália, 2 da Alemanha, 2 da Tailândia, um da China e um da França. Um dos casos suspeitos é por contato com o indivíduo que foi confirmado e outro por contato com um suspeito. "Isso mostra que tivemos velocidade para se adaptar as novas definições durante o carnaval. O sistema de saúde está em alerta total", afirmou Oliveira.

Procurada pelo Estado, a assessoria de imprensa da Latam divulgou pela manhã uma nota em que dizia que foi "notificada pela Anvisa sobre o caso mencionado" e tinha passado "informações solicitadas pelas autoridades competentes – incluindo os detalhes do voo, da tripulação e a lista oficial de passageiros". Pela tarde, a assessoria de imprensa retificou a informação e disse que "errou ao informar que a empresa foi notificada pela Anvisa sobre o tema". "A Latam reforça que não foi notificada pela Anvisa sobre esse caso."

Este é o primeiro caso na América Latina.  Segundo o ministro, a confirmação do primeiro caso aumenta a vigilância e os preparativos das autoridades para atendimento no País. “O status sanitário não muda porque já tínhamos adotados as medidas dias atrás. É uma síndrome gripal, mais grave nas pessoas de mais idade. Os jovens são muito poupados”, disse o ministro. 

“Entendo a preocupação da Itália, porque lá tem uma população de muitos idosos. Aqui vamos ver agora como o vírus vai se comportar em um país tropical, em pleno verão. É um vírus novo. É um vírus novo. Pode manter o padrão que já vem se apresentando no hemisfério norte e agora aqui no sul.”

De acordo com Mandetta, pessoas que estavam no mesmo voo que o paciente confirmado e sentados perto dele estão sendo contactadas pela Anvisa para que fiquem atentas a eventuais sintomas como tosse e febre. Caso apresentem esse quadro, mesmo que eles não tenham vindo dos países que estão sob alerta, devem se comunicar com as autoridades de saúde. São considerados de interesse os 16 passageiros que estavam nas duas fileiras da frente ou ao lado do passageiro. 

Pessoas que tiveram contato com o paciente também serão monitoradas. "A partir daí (da confirmação da contaminação) começa um trabalho de localização de quais são os contatos que ele teve. Contatos próximos, como a esposa, e os eventuais, que são as pessoas que ficaram em alguns momentos com esse paciente", afirmou em entrevista na qual detalhou como foi feita a identificação.

Todos que tiveram na reunião familiar no domingo já estão sendo procurados. Mandetta divide os suspeitos entre os com contato próximo, como a esposa, que vive com ele, e os de contato eventual. Ele estima que podem chegar a 60 pessoas o total que serão contactadas. Isso não significa, porém, que todos podem ter contraído a doença. Em média, no mundo, cada pessoa que foi infectada contaminou somente outras 2 ou 3, pontuou o secretário-executivo da pasta, João Gabbardo dos Reis. 

Cuidados

Após a confirmação, o Ministério da Saúde reforçou medidas anteriormente anunciadas pela pasta. Entre as ações, estão aquisição de máquinas e insumos para unidades de saúde, aluguel de 1 mil leitos de cuidado intensivo caso haja necessário e orientação em aeroportos. 

"Com certeza vamos passar por essa situação aguardando, com investimento em pesquisa, ciência e clareza de informação. A população terá todas as informações que sejam necessárias para que cada um se organize e tome as devidas precauções", disse Mandetta. 

Lavar as mãos constantemente continuam sendo as medidas mais indicadas para se prevenir. Quem sentir os sintomas deve usar máscaras e evitar andar em transporte público. 

Mandetta afastou a possibilidade de fechar fronteiras ou restringir a entrada e saída de pessoas no Brasil após a confirmação do primeiro caso de coronavírus no País. "Não tem como bloquear as pessoas. Isso não tem eficácia", disse. As ações estarão voltadas para a orientação de pessoas que viajaram para países com casos monitorados da doença. 

"Mundo não tem fronteira. Perguntaram: Por que não fecha? Não tem eficácia isso aí. É uma gripe, mais uma que o mundo terá de enfrentar", enfatizou Mandetta. 

Questionado sobre se brasileiros deveriam cancelar viagens para locais onde está ocorrendo a transmissão da doença, Mandetta disse que “vale a regra do bom senso”. Para ele, se a viagem não for necessária, dá para esperar para ver como a situação vai se comportar. “Mas não podemos parar a vida porque há uma gripe, uma síndrome respiratória. Daqui a pouco o Brasil pode ter casos (de transmissão) sustentados e aí tanto faz estar aqui ou lá”, disse o ministro.

Para ele, quem tiver realmente necessidade de ir, vá com os cuidados de higiene recomendados. “Sabendo que é uma gripe e que na grande maioria dos casos, os que pegam evoluem muito bem, obrigado e saem depois e vivem sua vida como se nada tivesse acontecido.” Ele defende que o que ocorre é uma "infodemia", epidemia de informações que estão gerando "ansiedade e insegurança."

Com o anúncio no Brasil e um caso na Argélia, a doença já está nos cinco continentes. “Logo mais o Organização Mundial da Saúde deve anunciar pandemia, aí não tem mais nexo de origem. A trasmissão passa a ser sustentado. Mas hoje ter essa lista ainda nos ajuda a construir raciocínio de vínculo epidemiólogico quando chegam os casos suspeitos.”

No mundo, os dados apontam para 80.239 casos confirmados e 2.700 mortes, ou seja, um índice de letalidade de 3,4%. Fora da China, o porcentual é de 1,4%. 

Oliveira afirmou que há uma tendência de estabilização dos casos na China, onde teve início a epidemia, e um "número expressivo de pessoas se recuperando da doença".

Insumos chineses

Mandetta manifestou preocupação com uma possível redução no fornecimento de insumos do setor de saúde produzidos na China. A epidemia do novo coronavírus aumentou a demanda por materiais como imunoglobulina e máscaras no país asiático, epicentro da doença e ao mesmo tempo fornecedor desses produtos para o resto do mundo. 

"(A situação) preocupa porque o mundo passou a ter a China como supplier (fornecedor). Estamos trabalhando como nossa indústria para que se possa abastecer", disse. A imunoglobulina, destacou, é um dos fatores de preocupação, mas há fornecedores em outros países para os quais o País pode recorrer.

No caso de máscaras, há uma forte demanda na própria China, o que poderia comprometer o abastecimento do produto em outros países. "Estamos vendo como abastecer com sustentabilidade o nosso país", declarou Mandetta. 

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Coronavírus se desloca pela Europa e Oriente Médio; EUA se preparam para enfrentar epidemia

Centenas de casos confirmados na Itália e dezenas de novos no Irã provocam alerta mundial

The New York Times, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 12h59

Novos casos do coronavírus surgiram na Europa. Dezenas de novas infecções no Irã intensificam os temores de uma propagação descontrolada do vírus no Oriente Médio. As bolsas de todo mundo caem. As autoridades de saúde nos Estados Unidos alertam que é apenas uma questão de tempo para o vírus invadir as costas americanas. Um clima político tóxico em Washington complica ainda mais o desafio de saúde pública.

Esses alertas persistentes e preocupantes provocaram nervosismo em todo o mundo na quarta-feira, 26, mesmo que a epidemia aparentemente esteja regredindo na China.

Pela primeira vez, mais casos novos foram reportados fora da China do que dentro deste país, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. O número de pessoas infectadas na China na terça-feira era de 411; no resto do mundo foi 427. O número total de pessoas com o vírus chegou agora a 80.980 no mundo todo, com a morte de três mil pessoas.

Na União Europeia, onde as fronteiras são abertas entre as nações membro novos casos foram registrados na Áustria, Croácia, França, Alemanha, Grécia, Espanha e Suíça. Muitos estão ligados à Itália, onde as autoridades vêm lutando para conter uma epidemia que já atingiu pelo menos 325 pessoas, a maioria no norte perto de Milão.

Autoridades do bloco advertiram que os países precisam fazer mais na sua preparação para novos surtos e no sentido de uma resposta mais coordenada.

Três hotéis - na Áustria, na França e nas Ilhas Canárias, na Espanha - foram fechados esta semana depois que hóspedes foram testados positivos para o vírus. As medidas para limitar o contágio diferem de lugar para lugar, mas agrupamentos de pessoas foram os primeiros a serem cancelados em cidades e vilarejos onde o vírus foi detectado.

Na Ásia, as autoridades chinesas alertaram que a queda no número de infectados pode ser apenas temporária, ao passo que dirigentes sul-coreanos ainda estão lutando para conter o maior surto do vírus fora da China. O Exército dos Estados Unidos confirmou que um soldado estacionado na Coreia do Sul foi testado positivo para o vírus.

Com as autoridades de saúde americanas se preparando para uma epidemia de coronavírus nos Estados Unidos, o governo Trump tem sido alvo de críticas de parlamentares republicanos e democratas por suas declarações contraditórias sobre a gravidade da crise, a falta de transparência e uma preparação displicente para fazer face a uma epidemia.

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Em dois dias papéis de empresas brasileiras perdem 9% em Nova York

Centenas de casos confirmados na Itália e dezenas de novos no Irã provocam alerta mundial

The New York Times, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 12h59

Novos casos do coronavírus surgiram na Europa. Dezenas de novas infecções no Irã intensificam os temores de uma propagação descontrolada do vírus no Oriente Médio. As bolsas de todo mundo caem. As autoridades de saúde nos Estados Unidos alertam que é apenas uma questão de tempo para o vírus invadir as costas americanas. Um clima político tóxico em Washington complica ainda mais o desafio de saúde pública.

Esses alertas persistentes e preocupantes provocaram nervosismo em todo o mundo na quarta-feira, 26, mesmo que a epidemia aparentemente esteja regredindo na China.

Pela primeira vez, mais casos novos foram reportados fora da China do que dentro deste país, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. O número de pessoas infectadas na China na terça-feira era de 411; no resto do mundo foi 427. O número total de pessoas com o vírus chegou agora a 80.980 no mundo todo, com a morte de três mil pessoas.

Na União Europeia, onde as fronteiras são abertas entre as nações membro novos casos foram registrados na Áustria, Croácia, França, Alemanha, Grécia, Espanha e Suíça. Muitos estão ligados à Itália, onde as autoridades vêm lutando para conter uma epidemia que já atingiu pelo menos 325 pessoas, a maioria no norte perto de Milão.

Autoridades do bloco advertiram que os países precisam fazer mais na sua preparação para novos surtos e no sentido de uma resposta mais coordenada.

Três hotéis - na Áustria, na França e nas Ilhas Canárias, na Espanha - foram fechados esta semana depois que hóspedes foram testados positivos para o vírus. As medidas para limitar o contágio diferem de lugar para lugar, mas agrupamentos de pessoas foram os primeiros a serem cancelados em cidades e vilarejos onde o vírus foi detectado.

Na Ásia, as autoridades chinesas alertaram que a queda no número de infectados pode ser apenas temporária, ao passo que dirigentes sul-coreanos ainda estão lutando para conter o maior surto do vírus fora da China. O Exército dos Estados Unidos confirmou que um soldado estacionado na Coreia do Sul foi testado positivo para o vírus.

Com as autoridades de saúde americanas se preparando para uma epidemia de coronavírus nos Estados Unidos, o governo Trump tem sido alvo de críticas de parlamentares republicanos e democratas por suas declarações contraditórias sobre a gravidade da crise, a falta de transparência e uma preparação displicente para fazer face a uma epidemia.

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Sobe para 12 o número de mortos na Itália em surto de coronavírus

Número de infectados no país chegou a 374 nesta quarta e vírus faz as primeiras vítimas menores de idade na região

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2020 | 14h40
Atualizado 29 de fevereiro de 2020 | 09h03

O total de mortes causadas pelo coronavírus na Itália chegou a 12 nesta quarta-feira, 26, informou a agência de Proteção Civil do país. Três vítimas eram da região mais afetada pelo vírus, a Lombardia, e uma mulher estava hospitalizada em Treviso, no Vênero. O número de casos confirmados também aumentou para 372 – quase 200 a mais do que no balanço de segunda-feira. 

A grande maioria dos casos ainda se concentra no norte do país. Mas pela primeira vez desde o início do surto, na sexta-feira, o vírus chegou ao sul, na cidade de Palermo, na Sicília. Uma das mulheres contagiadas é de Bérgamo, na Lombardia, e estava viajando com dois amigos por Palermo. Também foram registrados casos pela primeira vez na Toscana e na Ligúria.

Em toda a região norte do país tem havido uma corrida aos supermercados, que já apresentam prateleiras. vazias. Logo que o surto começou, os itens mais procurados eram desinfetantes e máscaras descartáveis, mas agora a busca é de praticamente todos os itens, de papel higiênico a frutas, carnes, enlatados em geral, macarrão, arroz. Tudo com data de validade maior. E os frescos, inclusive os ovos, já sumiram das prateleiras dos supermercados.  

Nesta terça-feira, 25, outros países europeus começaram a registrar seus primeiros casos de infectados. Um hotel nas Ilhas Canárias, arquipélago espanhol no Oceano Atlântico, foi colocado em quarentena após um médico italiano hospedado no local ter sido testado positivamente para o coronavírus.

Há dois casos confirmados também na Áustria. Ao site Wiener Zeitung, as contaminações teriam sido identificadas na região do Tirol. Tratam-se de pessoas com 24 anos, uma delas da região da Lombardia, na Itália. Eles permanecerão em quarentena. Na Croácia e Suíça, segundo informações do The Guardian, também foram reportados casos, assim como um caso identificado na Catalunha, na Espanha. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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Coronavírus: O que você precisa saber sobre a doença

Um vazamento de amônia líquida em uma unidade de refrigeração em uma instalação de armazenamento a frio em Xangai matou ontem 15 pessoas e feriu outras 26, informaram autoridades locais. O vazamento ocorreu na Weng's Cold Storage Industrial Co., localizada no distrito de Baoshan. A China, segunda maior economia do mundo, tem um histórico de problemas de segurança no trabalho. Em junho, 120 pessoas morreram em um incêndio em uma unidade de processamento de frango em Jilin.

Conheça medidas para evitar a contaminação pelo novo coronavírus

CONTEÚDO ABERTO PARA NÃO-ASSINANTES: Uso da máscara se tornou obrigatório no Estado de São Paulo nesta quinta-feira, 7

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 13h54
Atualizado 07 de maio de 2020 | 08h23

SÃO PAULO - Lavar as mãos e cobrir nariz e boca ao tossir e espirrar são medidas que ajudam a evitar a propagação do novo coronavírus, o Covid-19. Infectologistas ouvidos pelo Estado recomendaram ainda que a população não entre em pânico e que, em caso de doenças respiratórias, só busque atendimento médico se sintomas como febre, tosse e coriza persistirem. Nesta quinta-feira, 7, o uso de máscaras passou a ser obrigatório em todo o Estado de São Paulo

"Neste momento, é importante reforçar a necessidade de higienização das mãos, porque o vírus é transmitido pelo contato. O indivíduo que está tossindo ou espirrando vai contaminar superfícies ao usar o teclado, mouse, torneira. Todas as superfícies ficam contaminadas. O álcool ou a lavagem das mãos eliminam o vírus. As pessoas devem higienizar as mãos não só para se proteger do coronavírus, mas de outras infecções virais", explica Francisco Ivanildo Oliveira Júnior, gerente do Controle de Infecção Hospitalar do Sabará Hospital Infantil, que também é supervisor do ambulatório do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

Oliveira Júnior diz que a avaliação dos casos confirmados e artigos científicos apontaram que, para a maioria dos pacientes, a doença não vai evoluir para quadros graves.

"Cerca de 80% dos casos têm formas leves. São pessoas que podem ser tratadas sem necessidade de internação. Esse caso consegue mostrar para a população dessa faceta da doença. A grande maioria das pessoas se recupera e tem quadros leves, que podem ser tratados em casa com o afastamento social para reduzir a possibilidade de contato com pessoas do trabalho e em situações sociais."

O restante corresponde a ocorrências graves, das quais 6% se referem aos casos muito graves - quando o paciente precisa ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Ele diz que, embora esse seja um aspecto positivo, tendo em vista que esses pacientes não evoluem para formas graves, essa característica facilita a propagação da doença.

"O lado ruim é que as pessoas que são pouco sintomáticas, normalmente, não ficam em casa, elas circulam e são as pessoas que têm o maior risco de transmitir a doença e causar surtos familiares, que têm sido muito descritos na China, ou vão para o trabalho, fazem compras. Além disso, tem uma porcentagem que ainda não sabemos quanto é, de pacientes que não manifestam nenhum sintoma, mas podem transmitir a doença."

Para Entender

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Doença está deixando vítimas na Ásia e já foi diagnosticada em outros continentes; Organização Mundial da Saúde está em alerta para evitar epidemia

Busca por atendimento médico

Coordenador do centro de infectologia do Hospital Sírio-Libanês e reitor da Faculdade de Medicina do ABC, o infectologista David Uip diz que as pessoas que apresentam sintomas leves de doenças respiratórias devem evitar sobrecarregar os hospitais.

"Se todo mundo que tossir ou espirrar for ao hospital, a gente vai ter um problema que não é possível de dar conta nem no Brasil nem no mundo. Quem estiver com sintomas leves, deve ficar em casa. Ao tossir ou espirrar, deve cobrir a boca e o nariz, de preferência, com lenço descartável."

Uip também explicou quando, com base nos sintomas, as pessoas devem buscar auxílio médico. "Se tiver uma febre que perdura, que não some em 24 ou 48 horas ou desaparece e reaparece, e desconforto respiratório."

O uso das máscaras passou a ser obrigatório no Estado de São Paulo nesta quinta-feira, 7, e a medida também já foi adotada em outros municípios brasileiros. A máscara, mesmo a caseira, segundo especialistas, é mais um item que ajuda na proteção contra a doença.

A infectologista Nancy Bellei, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, destaca que é importante que as instituições tenham um diálogo franco com a população e reforça que os hospitais devem receber os casos graves.

"É preciso ter seriedade na comunicação com a população. Tem de explicar o que é a doença, quais são os sinais de alerta, quando se deve ficar em casa." Leia a entrevista completa aqui.

Como evitar o coronavírus

De acordo com o Ministério da Saúde, medidas podem ser incorporadas no dia a dia para reduzir o risco de contaminação e transmissão do vírus.

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por, pelo menos, 20 segundos. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes
  • Ficar em casa quando estiver doente
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