Alteração em DNA ajuda a explicar distúrbios de ansiedade

Pesquisa usou camundongos modificados geneticamente para estudar alteração encontrada no DNA

estadão.com.br,

14 Março 2011 | 20h34

SÃO PAULO - Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Weill Cornell, nos Estados Unidos, identificaram uma alteração no DNA que confere um comportamento de ansiedade tanto em camundongos como nos seres humanos. A pesquisa poderá ajudar a desenvolver um tratamento para distúrbios relacionados a este tipo de comportamento, como fobias e o estresse pós-traumático.

"Nós descobrimos que humanos e camundongos que têm a mesma alteração genética também têm uma grande dificuldade em acabar com uma resposta de ansiedade em relação a um estímulo adverso", explicou a Dra. B.J. Casey, uma das autoras do estudo publicado na revista Science.

Os pesquisadores observaram um comportamento semelhante entre humanos e camundongos que possuem uma alteração no gene do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF, na sigla em inglês). Os camundongos foram alterados geneticamente, ou seja, tinham uma variação genética humana inserida em seu genoma.

A observação foi feita a partir de dois tipos de estímulos, aqueles que não causavam mal algum e outros que causavam aversão, que provocariam um comportamento de ansiedade chamado medo condicionado. A intensa exposição aos fatores que não causavam mal normalmente faria com que o comportamento ansioso acabasse. "Mas tanto camundongos como os humanos que possuíam alteração no BDNF demoraram mais para superar os traumas", explicou a Dra. Fatima Soliman, autora do estudo.

Esta alteração está presente em um circuito cerebral, ligado ao córtex frontal e amígdalas, responsável por aprender a identificar sinais de segurança e perigo. "O estudo destes genes poderá ajudar médicos a tomarem decisões mais seguras em tratamentos referentes a distúrbios de ansiedade", disse o Dr. Francis S. Lee, coautor do estudo.

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