Sergio Castro/AE
Sergio Castro/AE

Alunos voltam às aulas com 'beijos e abraços' e tranquilidade

Secretaria de Saúde recomendou aos estudantes e professores que evitassem contato por causa da gripe suína

Carolina Freitas, Agência Estado,

17 Agosto 2009 | 11h28

Pais e alunos da Escola Estadual Doutor Alberto Cardoso de Mello Neto, no Tucuruvi, zona norte da capital paulista, demonstravam tranquilidade na volta às aulas nesta segunda-feira, 17. O reencontro dos colegas após mais de 40 dias foi comemorado com beijos e abraços. As férias na rede estadual de ensino foram ampliadas em 14 dias, por determinação da Secretaria de Estado da Saúde, para conter o avanço dos casos de gripe suína. Em todo o Estado, 134 pessoas morreram com diagnóstico do vírus A (H1N1).

 

Segundo o secretário estadual da Saúde, Luiz Barradas Barata, que visitou a Escola Alberto Cardoso, não há problema nesses cumprimentos, mas é recomendável evitar contato próximo com quem está com os sintomas da gripe.

 

Reposição

 

Os estudantes mostravam apreensão apenas quanto à reposição das aulas perdidas. "Se for aos sábados vai ser ruim", disse Ericka Alves de Oliveira, de 14 anos, aluna do 1º ano do Ensino Médio. Para Monique Pereira de Souza, de 15 anos, também do 1º ano, o acréscimo na folga de inverno "não compensa" se houver aulas nos finais de semana.

 

O secretário estadual da Educação, Paulo Renato Souza, que também acompanhou a chegada dos alunos à escola, disse que o cronograma para reposição das aulas será apresentado ainda esta semana pelas escolas às diretorias de ensino. A substituição pode acontecer aos sábados, em dezembro ou durante a tradicional "Semana do Saco Cheio", em outubro, quando as escolas costumam emendar o Feriado de Nossa Senhora Aparecida, no dia 12, com o Dia do Professor, no dia 15.

 

Mesmo sem muita disposição para acordar cedo nos próximos sábados, os jovens aprovaram o adiamento da volta às aulas do dia 3 para esta segunda. "Esses dias em casa serviram para a gente aprender mais sobre como prevenir a gripe", disse Gisele Sales, de 15 anos, estudante do 1º ano. "O principal cuidado é lavar bem as mãos, várias vezes ao dia." Monique Souza contou que sua mãe já a ensinou a usar álcool em gel para limpar as mãos quando não houver uma torneira por perto.

 

Os pais que acompanharam os filhos no primeiro dia de aula demonstravam calma diante dos riscos da nova gripe. "Com essas semanas a mais de férias, fiquei tranquilo para mandar meu filho à escola", disse o motorista Luis Carlos Silva Lima, de 43 anos. "Nos informamos melhor sobre a doença." O filho de Luis, Luan Honorato, de 17 anos, aluno do 3º ano do Ensino Médio, aproveitou a folga extra para viajar para o litoral norte de São Paulo. "Agora é hora de estudar", disse o jovem.

 

As irmãs Ericka e Gleicka Oliveira tiveram de lidar com restrições durante as férias por causa do temor da mãe em relação à nova gripe. "Ela pediu que a gente evitasse ir ao shopping, ao cinema e ao teatro, para fugir de aglomerações", contou Gleicka, de 13 anos, aluna da 8ª série do Ensino Fundamental. Quanto à volta ao colégio, a mãe não se mostrou tão preocupada, contaram as meninas. "Acho que ela não nos aguentava mais em casa", brincou Ericka.

 

Em meio a tanta tranquilidade, um susto: dois alunos chegaram ao colégio usando máscaras brancas, indicadas para quem tem os sintomas da gripe. "É só para zoar", apressou-se a esclarecer Pedro de Souza Guimarães, de 17 anos, aluno do 3º ano. "A gente chegou do lado dos colegas e fingiu que tossia. Eles saíram correndo." Pablo Barros de Oliveira, de 17 anos, acompanhou o amigo na brincadeira. "As pessoas se afastam da gente por causa da máscara. É preconceito." Apesar da troça, os dois colegas estão saudáveis. "Se eu pegar a gripe, minha saúde dá conta", garante Pablo.

 

A brincadeira sobressaltou a diretora da Escola Alberto Cardoso, Cecília Bigattão, que, diante da presença dos secretários da Saúde e da Educação na unidade, correu para verificar o estado de saúde dos garotos. "Se eles estiverem com sintomas de gripe, devem ficar dez dias em casa", alertou Barradas Barata. "Usar máscara sem estar com gripe é como sair fantasiado no carnaval, uma brincadeira." Adultos que estiverem com suspeita da doença devem se afastar do trabalho por sete dias, orientou o secretário da Saúde.

 

Declínio

 

Os sintomas da gripe suína são febre acima de 38ºC, tosse, falta de ar, cansaço, diarreia, vômito e dores de cabeça, no corpo e na garganta. "Evitar ir às aulas ou ao trabalho é a forma mais eficaz de interromper a transmissão do vírus da gripe H1N1 e conter a epidemia", disse Barradas Barata. O titular da Saúde acredita em um declínio no número de casos da gripe A nas próximas semanas. "Estamos na nona semana da epidemia. Uma epidemia de gripe dura em média de oito a dez semanas. Devemos entrar, portanto, em uma fase declinante do número de casos."

 

Professoras e funcionárias da Educação grávidas serão afastadas da sala de aula, para evitar o contato com crianças e adolescentes. A gripe suína tem letalidade mais alta entre gestantes. "Mesmo sem sintomas de gripe, as grávidas devem trabalhar na direção da escola ou na diretoria de ensino, longe dos alunos", recomendou Paulo Renato, secretário da Educação.

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