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Alzheimer: perguntas e respostas

Tire suas dúvidas sobre a doença

Wanise Martinez, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2012 | 10h00

 O que é?

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que provoca a morte acelerada dos neurônios em todas as regiões do cérebro. É um processo difuso que danifica desde as áreas da memória até os centros motores, responsáveis pela locomoção. À medida que a doença evolui, as funções cerebrais vão ficando cada vez mais comprometidas e outros campos vão sendo afetados, como a linguagem, a razão e a habilidade de cuidar de si próprio.

Qual a causa da doença?

Não se sabe ao certo a origem do problema. Estudos apontam que algumas mudanças nas células cerebrais poderiam interferir nas funções cognitivas do paciente, mas não há nada concreto. A idade seria um dos grandes fatores de risco para desenvolver o Alzheimer, mas a predisposição genética também, o que pode justificar casos de desenvolvimento precoce.

Pelo que se sabe até aqui, a doença começa quando há erros no metabolismo de proteínas, como o beta-amiloide, o que provoca acúmulo de placas tóxicas. Também pode haver alterações na proteína tau, o que destrói o esqueleto celular. Ambos os processos levam a uma morte acentuada de células nervosas no cérebro.  

Quais são os principais sintomas?

O primeiro deles é a perda da memória recente - como os eventos vividos horas antes. É importante apontar que um esquecimento ocasional não deve ser entendido como sinal da doença. Lapsos de memória só sinalizam a doença quando interferem nas atividades diárias da pessoa.

Além da perda da memória progressiva, o paciente também começa a ter dificuldade para raciocinar, se planejar e, com o tempo, até se comunicar e se locomover. Em boa parte dos casos, surgem ainda a agitação, a ansiedade e a depressão.

Como é feito o diagnóstico?

Não há um exame específico capaz de apontar o Alzheimer. O médico costuma diagnosticar o mal após realizar testes neurológicos e cognitivos para descartar outras doenças. O profissional também leva em conta informações sobre as mudanças de comportamento do paciente, colhidas em entrevistas com ele e com sua família.

Há tratamento para o Alzheimer?

Sim. Existem medicamentos que ajudam a impedir o avanço rápido da doença em seus primeiros anos, mas não há cura. Após o diagnóstico e a orientação médica, o tratamento é iniciado com doses baixas, de modo a diminuir os efeitos colaterais que podem surgir. Os familiares também passam por um processo de orientação em que aprendem mais sobre o que é a doença e como lidar com o paciente.

Existem estudos recentes sobre a doença?

Uma alternativa apontada pelas novas pesquisas seria o efeito neuroprotetor do lítio. A substância impede a atuação de processos metabólicos que causam o Alzheimer, como a formação das placas de beta-amilóide e as alterações da proteína tau - que seriam alguns dos prováveis mecanismos da doença.

 

Quantas pessoas sofrem de Alzheimer?

Estima-se que 10% das pessoas com mais de 65 anos e 25% daquelas com mais de 85 anos podem apresentar Alzheimer. No Brasil, dos 15 milhões de pessoas com mais de 60 anos, cerca de 6% apresentam a doença, ou seja, em torno de 1,2 milhão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), esse número deve crescer bastante até 2030, devido ao envelhecimento da população global e ao aumento de casos relacionados à demência.

Fontes: Academia Brasileira de Neurologia (Abneuro), Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz) e Wagner Gattaz, professor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

 

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