AFP / TANG CHHIN Sothy
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Americana que estava a bordo de navio atracado no Camboja tem teste positivo para coronavírus

Westerdam atracou no território asiático na semana passada, depois de ter sido afastado de pelo menos outros cinco portos da Ásia, em razão de temores da doença

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2020 | 09h10

Uma norte-americana, de 83 anos, que estava a bordo do Westerdam, navio de cruzeiro que atracou no Camboja, teve teste duas vezes positivo para o novo coronavírus. Após desembarcar do navio, ela voou para Malásia. De acordo com a CNN, a nova solicitação foi feita pelo Ministério da Saúde do Camboja logo após as autoridades de saúde da Malásia confirmarem o caso. 

O Westerdam atracou no Camboja, na semana passada, depois de ter sido afastado por pelo menos outros cinco portos da Ásia, em razão de temores da doença. 

Na época, a mídia estatal do país informou que todos os passageiros e tripulantes a bordo do navio haviam sido submetidos a verificações de temperatura e "nenhuma pessoa teve uma temperatura elevada".  

Autoridades informaram que mais de 140 passageiros do navio viajaram por um aeroporto da Malásia. Com exceção de oito passageiros, que aguardavam resultados de análises no país, todos os outros foram autorizados a continuar viagem, incluindo aeroportos nos Estados Unidos, Holanda e Austrália, de acordo com o The New York Times.

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Podemos acabar com três ou quatro países com transmissão sustentada do vírus
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Eyal Leshem, diretor do Centro de Medicina de Viagem e Doenças Tropicais do Centro Médico Sheba em Israel

O diretor do Centro de Medicina de Viagem e Doenças Tropicais do Centro Médico Sheba em Israel, Eyal Leshem,  classificou as divulgações como "extremamente preocupantes" e disse que os voos dos passageiros de Kuala Lumpur, capital da Malásia, aumentaram substancialmente o risco de uma pandemia global. "Podemos acabar com três ou quatro países com transmissão sustentada do vírus", disse ele.  

"Pode ser cada vez mais difícil garantir que esse surto ocorra apenas na China", disse Leshem.

O Westerdam, transportando 2.257 passageiros e tripulantes, partiu de Hong Kong em 1.º de fevereiro e ficou no mar por quase 14 dias, período considerado com grau máximo de incubação para o vírus altamente transmissível.

Diamond Princess Cruise

Neste domingo, 46 norte-americanos - que estavam no navio Diamond Princess Cruise, atualmente em Yokohama, no Japão - tiveram resultados positivos para o novo coronavirus, informou a Princess Cruises à CNN

Cerca de 400 americanos devem voltar para os Estados Unidos em voos fretados pelo país, neste domingo, onde irão permanecem em quarentena por 14 dias. Qualquer americano que tenha o coronavírus, ou qualquer um que mostre sintomas, não poderá embarcar nos aviões fretados. Eles deverão permanecer nos hospitais japoneses.

Três israelenses também testaram positivo para coronavírus a bordo da Diamond Princess, informou o Ministério da Saúde de Israel. Os três não estão em estado grave, disseram autoridades em comunicado. O Ministério da Saúde do país também está trabalhando com outros cidadãos israelenses a bordo do navio para trazê-los para casa em um voo direto, caso não tenham resultado positivo para o coronavírus. 

Itália também planeja trazer de volta cidadãos que estão na embarcação. Detalhes do voo fretado não foram divulgados.

Com 355 casos confirmados de coronavírus a bordo, 70 dos quais foram anunciados neste domingo, o navio tem a maior concentração de novos casos da doença fora da China continental.

A Princess Cruises cancelou viagens a bordo do Diamond Princess até 20 de abril por causa do prolongado período de quarentena, anunciou a empresa pelo Twitter. 

Casos

As mortes provocadas pelo coronavírus na China aumentaram em 142 pessoas, de acordo com informações da Comissão Nacional de Saúde do país. Neste domingo, 16, o número de mortos por conta da doença chegou a 1.666. Apesar do aumento, o índice de casos confirmados reduziu.

Segundo os dados divulgados pela Comissão em sua página de internet, foram contabilizados 2.009 novos infectados, 632 a menos que no último sábado, 15, quando foram confirmados 2,641 novos casos. Ao todo, são 69.260 mil casos confirmados da doença. 

Pelo menos 28 países já confirmaram casos de coronavírus. A China continental concentra 99,9% das mortes registradas no mundo. Neste sábado, a França confirmou uma morte por conta do coronavírus e se tornou o primeiro país fora da Ásia a registrar óbito pela doença.

Neste domingo, 16, Taiwan informou a primeira morte em seu território. A vítima era um taxista de 61 anos que não havia deixado o país recentemente. Japão, Filipinas e Hong Kong já tinham registrado mortes. 

No Brasil, quatro casos suspeitos são investigados. Além disso, no último domingo, 9, dois aviões da Força Aérea Brasileira com os 31 brasileiros que estavam na China, na província de Hubei, pousaram na Base de Anápolis. Nenhum passageiro apresentou sintomas da doença. Todos permanecem em quarentena. / Com EFE, NYT e CNN.

​Casos de coronavírus em números

Segundo informou a CNN, atualmente, existem pelo menos 69.260 casos globais confirmados do novo coronavírus e 1.666 mortes. Confira abaixo:      

1. Austrália (15 casos)         

2. Bélgica (1 caso)         

3. Camboja (1 caso)        

4. Canadá (7 casos)         

5. Finlândia (1 caso)         

6. França (11 casos, 1 morte)         

7. Alemanha (16 casos)         

8. Hong Kong (57 casos, 1 morte)         

9. Índia (3 casos)         

10. Itália (3 casos)         

11. Japão (406 total: 51 casos em terra, incluindo 1 morte + 355 de navio de cruzeiro)  

12. Macau (10 casos)         

13. Malásia (19 casos)        

14. Nepal (1 caso)         

15. Filipinas (3 casos, 1 morte)         

16. Rússia (2 casos)         

17. Cingapura (72 casos)                 

18. Coreia do Sul (29 casos)  

19. Espanha (2 casos)         

20. Sri Lanka (1 caso)         

21. Suécia (1 caso)         

22. Taiwan (20 casos, 1 morte)         

23. Tailândia (33 casos)        

24. Emirados Árabes Unidos (8 casos)        

25. Reino Unido (8 casos)         

26. Estados Unidos (15 casos)        

27. Vietnã (16 casos)     

28: Egito (1 caso) 

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