Aminoácido de peixes parece combater excesso de gordura

Os amantes de sushi podem ter agora mais razões para consumir o alimento. Um grupo japonês descobriu que grandes suplementos de taurina, um aminoácido sintetizado no corpo e também encontrado em frutos do mar, pode reverter boa parte dos danos à saúde causados por uma dieta gordurosa em ratos. Observadores alertam que mais trabalho é necessário para provar o papel protetor da taurina e estender as experiências a humanos, informa o website ScienceNOW. Há evidências de que sociedades com dietas baseadas em peixe sofrem menos de obesidade e problemas relacionados do que aquelas que se alimentam principalmente de carne. Notando que a taurina é abundante nos peixes, mas não em animais terrestres, e que experimentos anteriores com animais mostraram que uma ingestão maior de taurina reduziu a pressão alta e os níveis de colesterol, Nobuyo Tsuboyama-Kasaoka, uma bioquímica nutricional do Instituto Nacional de Saúde e Nutrição do Japão, e seus colegas se juntaram para examinar a relação entre a taurina e a obesidade. Eles colocaram grupos de ratos em dietas ricas em carboidratos ou em gordura. A equipe descobriu que, comparados aos ratos na dieta de carboidratos, os ratos da dieta rica em gordura ficaram gordos, tiveram níveis menores de taurina no sangue e quantidades reduzidas da enzima que sintetiza a taurina no tecido adiposo, aquele que armazena a gordura, encontrado logo abaixo da pele. A equipe notou que o decréscimo na produção de taurina ocorreu 14 dias ou mais depois que a dieta de gordura começou, levando-os a especular que a redução resultou das mudanças induzidas pela dieta nas células adiposas. "Isso cria um ciclo vicioso que promove a obesidade", disse Tsuboyama-Kasaoka. Sua equipe descobriu, porém, que uma dose diária de taurina - 3 miligramas para cada grama do peso do rato - evitou que os ratos na dieta de gordura ficassem obesos. Medindo o gasto de energia, a equipe concluiu que os ratos na dieta de gordura que receberam a taurina queimaram a gordura devido ao consumo maior de energia. Eles reportaram suas descobertas online na Endocrinology de 20 de abril. "O trabalho levanta algumas questões muito interessantes", disse Martha Stipanuk, bioquímica da Universidade Cornell que estuda a taurina. Ela alerta que trabalhos adicionais são necessários para determinar se a taurina está realmente envolvida no aumento da queima de gordura. Ela também assinalou que um humano teria que consumir enormes 150 a 250 gramas de taurina diariamente para receber uma dose equivalente à que foi dada aos ratos. Tsuboyama-Kasaoka disse que sua equipe já está planejando experimentos em humanos e ratos para apontar o papel da taurina e investigar se doses mais baixas de taurina suplementar são eficientes em humanos.

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