Amostra de sangue de guineano é enviada para teste de contraprova

Médicos consideram que possibilidade de o exame dar positivo é 'baixíssima'; paciente africano deve receber alta nesta terça-feira

Clarissa Thomé e Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

13 Outubro 2014 | 02h02

CASCAVEL E RIO - O africano Souleymane Bah, de 47 anos, primeiro paciente internado no Brasil por suspeita de ter o vírus do Ebola, teve sangue coletado para o exame de contraprova no fim da manhã deste domingo, 12, por médicos do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O material, lacrado em uma caixa com quatro camadas de proteção, deixou o Rio às 14 horas e foi enviado ao Instituto Evandro Chagas, no Pará.

O primeiro teste, realizado na sexta-feira, 10, deu negativo. O segundo exame levará 24 horas para ficar pronto - a previsão é de que o resultado seja conhecido somente na noite desta segunda-feira, 13. Os médicos consideram que a possibilidade de o teste dar positivo é "baixíssima", uma vez que desde sexta-feira, quando chegou ao INI, Bah não apresentou nenhum sintoma - nem febre nem dor no corpo.

Ele está bem e não tem nenhuma indicação de que precise ficar internado, mas continua em isolamento. O africano receberá alta clínica assim que a contraprova confirmar que ele não tem o vírus do Ebola. Bah só deve deixar o hospital, no entanto, nesta terça-feira, 14, quando for providenciado seu retorno para Cascavel, no Paraná, onde estava morando, quando deu entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O paciente veio da Guiné, um dos países com o maior número de casos da doença na África Ocidental.

Mais exames. Os técnicos do Ministério da Saúde enviados para Cascavel para auxiliar no monitoramento do primeiro caso suspeito do Ebola no País recolheram também as amostras de sangue de Bah, retiradas em um laboratório particular da cidade cerca de quatro dias antes de o homem apresentar febre e procurar a UPA Brasília II, na quinta-feira, 9.

Conforme o Estado revelou, o hemograma foi feito como parte de um processo admissional iniciado pelo africano, oriundo da Guiné. O teste apontou anemia e infecção viral aguda, segundo Miroslau Bailak, diretor da 10.ª Diretoria Regional de Saúde de Cascavel, órgão vinculado à Secretaria Estadual da Saúde do Paraná.

O secretário municipal da Saúde de Cascavel, Reginaldo Andrade, disse ao Estado que o laboratório que efetuou o exame tinha, como procedimento de rotina, armazenado uma amostra excedente do sangue do paciente.

"As amostras foram recolhidas pelos técnicos do Ministério da Saúde e também serão analisadas, mas parece que elas não estavam mais em boas condições", afirmou o secretário de Cascavel.

Andrade afirmou também que Bah estava em processo de admissão para ser garçom em um restaurante da cidade, na região oeste do Paraná. No exame admissional exigido pelo estabelecimento, teria sido incluído o hemograma. Andrade não soube informar o nome do restaurante que o contrataria.

Enfermeira infectada no Texas. Uma funcionária do Hospital Presbiteriano de Saúde do Texas, nos Estados Unidos, que atendeu o liberiano de 42 anos que morreu por Ebola naquela unidade de saúde, também foi contaminada pela vírus. Ela estava em isolamento desde sexta-feira, quando começou a apresentar febre, e teve o diagnóstico confirmado neste domingo.

A identidade da mulher não foi confirmada pelas autoridades americanas. Ela teria usado luvas, máscara e outros equipamentos de proteção enquanto tratou de Thomas Eric Duncan, a primeira pessoa diagnosticada com a doença nos Estados Unidos, que morreu na quarta-feira passada, 8.

A contaminação da mulher, que ocorre após falhas no reconhecimento do liberiano como potencial paciente com Ebola, fez surgir perguntas sobre a capacidade dos hospitais americanos em lidar com a epidemia.

A funcionária contaminada teve amplo contato com o liberiano depois de sua segunda visita e internação no hospital, em 28 de setembro. Duncan havia saído da Libéria no dia 19 e chegou a ir ao pronto-socorro no dia 25. Ele foi liberado, mas voltou dias depois, quando seu estado de saúde piorou.

O diretor do Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês), Thomas R. Frieden, disse que a agência considera transferir pacientes com a doença para hospitais com unidades especiais para contaminados e equipes com experiência no assunto. Mas enfatizou que todo hospital deve ter capacidade para diagnosticar a doença e isolar pacientes. O chefe clínico do hospital do Texas, Daniel Varga, disse que a funcionária "estava seguindo as precauções do CDC" e admitiu que, "infelizmente", é possível que nos próximos dias ocorram "casos adicionais de Ebola".

Chile. As autoridades de saúde do Chile emitiram neste domingo um alerta sanitário no Hospital Barros Luco, na capital, Santiago, assim que um paciente com os sintomas do Ebola deu entrada no pronto-socorro.

Segundo o Ministério da Saúde local, o paciente, J.G.F., de 54 anos, é um cidadão chileno vindo da Guiné Equatorial. Ele viajou no dia 9 de junho para o país africano, que não tem casos registrados da doença, e retornou ao Chile no dia 5, depois de fazer escala em Madri, Espanha. O chileno está isolado. O pronto-socorro do hospital foi esvaziado, e as visitas, suspensas. As primeiras amostras de sangue do doente ainda seriam colhidas para análise neste domingo.

Espanha. A técnica sanitária Teresa Romero, primeira pessoa contaminada com Ebola fora da África, "está melhorando", segundo as agências de notícia. Ela também foi contaminada atendendo um paciente. Quinze colegas de trabalho dela continuam em observação./COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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