Análise: Discurso de prevenção da aids precisa ser repensado

'Possibilitar o acesso a novos métodos biomédicos de prevenção pode fazer com que números alarmantes retrocedam'

Ralcyon Teixeira, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2015 | 20h33

Apesar de todo avanço adquirido no conhecimento sobre o HIV, o número de casos novos diagnosticados no Brasil se mantém ainda elevado e voltando a crescer entre adolescentes e jovens do sexo masculino. Podemos afirmar que a infecção pelo HIV está reemergindo em segmentos sociais específicos.

Dessa forma, o discurso empregado na prevenção da doença tem se mostrado aquém do necessário para barrar sua transmissão, principalmente nos grupos de maior vulnerabilidade (profissionais do sexo, homens que fazem sexo com homens e travestis). 

Pesquisa nacional recente mostra que um terço dos jovens praticamente não usa preservativos nas relações sexuais. Estamos vivenciando um momento de desafios em relação ao “discurso” empregado na prevenção do HIV.

Fortalecer as políticas de promoção à saúde e dos diretos humanos é preciso. Combater discriminações e estigmas, garantir a realização de uma correta e eficiente educação sexual, ampliar o diagnóstico para detecção precoce, além de possibilitar o acesso a novos métodos biomédicos de prevenção - como profilaxia pré e pós-exposição (PEP e PrEP) - podem fazer com que esses números alarmantes retrocedam. Precisamos, urgentemente, repensar o “discurso”.

RALCYON TEIXEIRA É INFECTOLOGISTA E SUPERVISOR DO PRONTO-SOCORRO DO INSTITUTO EMILIO RIBAS

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