REUTERS/Alexander Demianchuk
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Análise: É preciso falar mais sobre a sexualidade dos idosos

População está envelhecendo e mantendo uma vida sexual ativa a despeito da idade. Idoso deve ser informado sobre alternativas como profilaxia pré-exposição (PrEP) e pós-exposição (PEP)

Jamal Suleiman, infectologista

28 de novembro de 2019 | 05h00

É preciso quebrar essa percepção de que velho não transa. A população está envelhecendo e mantendo uma vida sexual ativa a despeito da idade. Por isso, é preciso pensar em ações que contemplem a população maior de 60 anos.

O primeiro caminho é oferecer o teste de HIV independentemente da causa que tenha levado a pessoa a um serviço de saúde. E é importante que esse teste esteja disponível nas unidades básicas, não só nos centros especializados. O idoso vai anualmente se vacinar contra a gripe? O teste deve ser oferecido. Ele frequenta ambulatórios para acompanhar doenças como diabete e hipertensão? Por que não oferecer teste de HIV?

Em segundo lugar, é preciso falar mais sobre a sexualidade do idoso, e isso vale também para os profissionais de saúde que têm contato mais frequente com essa população. Quando você fala sobre a importância de atualizar a carteira de vacinação do idoso e de praticar exercício físico, tem de falar de sexo também. Se a gente tem telefone com teclas maiores para a população idosa, por que não falar sobre sexo pensando nas particularidades desse grupo?

É preciso ainda ofertar ao idoso mais opções de prevenção. Se camisinha não funciona bem com o jovem, com o idoso é pior. Ele deve ser informado sobre alternativas como profilaxia pré-exposição (PrEP) e pós-exposição (PEP). Dá trabalho quebrar esses estigmas, mas temos de começar.

*JAMAL SULEIMAN É INFECTOLOGISTA DO INSTITUTO EMÍLIO RIBAS

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