Análise: Estamos vivendo uma crise na saúde sem precedentes

'Solução é o governo federal se conscientizar de que é necessário um comprometimento muito maior em termos financeiros'

Rubens Baptista Júnior, O Estado de S. Paulo

22 Julho 2014 | 21h38

A Santa Casa tem uma longa história de serviços prestados à saúde pública no Brasil. De certo modo, é anterior à existência do próprio Brasil, porque ela chega séculos antes de o País declarar a sua Independência. Ela faz um atendimento baseado em um conceito muito caro à religião Católica, que é a misericórdia. Atender quem necessita, não porque tenha direitos ou porque paga.

Atualmente, nós temos o Sistema Único de Saúde (SUS), que dá direito às pessoas serem atendidas, mas é um sistema que desde a sua concepção até hoje tem um problema de financiamento crônico que ninguém solucionou. O SUS é um modelo que promete tudo para todos. E nós não temos financiamento para cumprir essa promessa. O modelo da Santa Casa não é exceção, ele também tem essa dificuldade de orçamento e é o que está por trás deste descompasso entre o serviço a ser oferecido e a necessidade de cobrir os custos.

Os governos recentes não fizeram absolutamente nada nesse sentido e mantiveram a situação crônica de débitos. O SUS é um sistema gerador de déficit automático. A solução, primeiro, é o governo federal se conscientizar de que é necessário um comprometimento muito maior com a saúde em termos financeiros do que existe hoje. E que o sistema tenha uma fonte de financiamento mais robusta. A crise é recente.

O SUS tem 25 anos e o déficit tem se tornado mais grave nos últimos 10 anos, quando não houve atualização da tabela dos repasses. Estamos vivendo uma crise na saúde sem precedentes.

É PROFESSOR DE MBA EM GESTÃO DE SAÚDE NA FGV

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