REUTERS/Morteza Nikoubazl
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Forças moralistas e gestores covardes interditaram ações contra aids

Dados ocultam retrocessos: a doença ressurgiu no Brasil com força total nas novas gerações e existem milhares de infectados que não sabem que têm HIV

Mário Scheffer *, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2016 | 03h00

Mais uma vez, próximo ao Dia Mundial de Luta contra a Aids, o Ministério da Saúde tortura dados para mostrar avanços no combate à epidemia. Os dados gerais “positivos” ocultam retrocessos: a aids ressurgiu no Brasil com força total nas novas gerações e existem milhares de infectados que não sabem que têm HIV.

A nossa resposta à aids não é igual em diferentes regiões (no Norte e Nordeste cresceu a taxa de detecção) nem entre as populações (os homossexuais jovens são hoje muito mais vulneráveis). Forças moralistas e gestores covardes interditaram ações dirigidas aos gays, varreram a sexualidade para debaixo do tapete e deixaram de incorporar na prevenção novos modos de vida. Do preservativo como recurso único passou-se à lógica de prevenção que combina o teste, o começo do tratamento logo após o resultado positivo, os antirretrovirais tomados antes ou depois de relações sexuais desprotegidas. Mas essas tecnologias ainda não estão facilmente disponíveis a todos que precisam.

O preconceito contra pessoas com HIV enfraquece a possibilidade de o indivíduo se proteger, buscar o serviço de saúde, iniciar o tratamento. São persistentes e múltiplas as formas de discriminação e violação de direitos relacionadas à orientação sexual e identidade de gênero. Tudo isso, junto ao desmonte do SUS, que virá com o congelamento dos recursos públicos, pode determinar a escalada da aids no Brasil.

* É PROFESSOR DA FMUSP

 

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