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Análise: Ideal seria nova rodada, com metas de redução de sódio mais ousadas

Para médicos, nutricionistas e representantes de entidades de defesa do consumidor, acordo é tímido e pouco eficaz

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

13 Maio 2015 | 03h00

Festejado pelo Ministério da Saúde e anunciado com orgulho pela indústria alimentícia, o acordo de redução de sódio é considerado por médicos, nutricionistas e representantes de entidades de defesa do consumidor como tímido e pouco eficaz.

Lançado em 2011, o pacto previa a redução gradativa dos teores do mineral em 16 tipos de alimentos. Pelos cálculos iniciais, o pleno cumprimento do acordo provocaria uma redução de 20 mil toneladas de sódio até 2020. 

As críticas começam pela forma como foi calculada a redução. Em vez de o pacto usar como ponto de partida os teores médios do mineral em cada classe de alimento, governo e indústria basearam-se nos teores máximos. Com isso, algumas marcas não precisaram fazer nenhuma mudança. E todos passaram a ser considerados pela população como “mais saudáveis”. Os números apresentados por nutricionistas e médicos mostram que essa sensação não corresponde totalmente à realidade. Como as metas são muito tímidas, alguns produtos, mesmo com a redução, apresentam teores muito acima do ideal.


Cereal matinal é um exemplo. A meta, que deve ser alcançada neste ano, é de 418 mg de sódio a cada 100g do produto. O ideal, de acordo com nutricionistas, seria que essa quantidade do mineral estivesse em 150g de produto. 

A indústria afirma ser difícil fazer alterações drásticas, porque o sódio é uma ferramenta importante para conservar alimentos. Em alguns países, no entanto, produtos já são comercializados com teor menor do mineral. 

Além de as metas serem tímidas, o prazo foi considerado longo por médicos e nutricionistas. Críticos observam que a redução pode ser o primeiro passo. Mas o ideal é que uma nova rodada, com metas mais ousadas e prazos mais curtos, seja colocada em prática.

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