Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Análise indica presença de anticorpos de coronavírus em 12% dos doadores de sangue em SP

Testagem foi feita em 2.581 amostras de sangue doados sempre na segunda semana dos meses de abril, maio e junho

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2020 | 05h00

SÃO PAULO - Uma análise de amostras de sangue doado na Fundação Pró-Sangue, do Hospital das Clínicas de São Paulo, encontrou uma prevalência de anticorpos para o coronavírus Sars-CoV-2 em 12% dos doadores do mês de junho. 

Os dados, encaminhados nesta segunda-feira, 22, pela fundação à Secretaria de Estado da Saúde, sugerem que essa pode ser a distribuição de infecções também entre a população da cidade de São Paulo e corroboram levantamento feito pela Prefeitura divulgado nesta terça, 23, que estimou a presença do vírus em 9,5% dos habitantes, o que significa que 1,16 milhão de pessoas já podem ter se infectado. 

Pelo cálculo da Fundação Pró-Sangue, seriam cerca de 1,44 milhões de infectados. Os pesquisadores fizeram teste de anticorpos para o coronavírus do tipo IgG, de mais longa duração (que normalmente aparecem um tempo depois de a pessoa ser contaminada), em 2.581 amostras de sangue doados na segunda semana dos meses de abril, maio e junho (900, 824 e 857 amostras, respectivamente).

Em abril, apenas 27 amostras deram positivo (2,6%). Em maio foram 44 (5%) e em junho houve um salto para 105 resultados positivos (12%). 

No comunicado enviado ao secretário de Saúde do Estado, José Henrique Germann, Vanderson Rocha, diretor-presidente da Fundação, Alfredo Mendrone Junior, diretor-técnico científico da Pró-Sangue e Ester Sabino, pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical, afirmam que a população que faz doações representa "uma boa amostra da população do município".

Uma análise de de georreferenciamento do local de residência dos doadores baseado, a partir do CEP informado no registro, permitiu alcançar uma representatividade significativa das amostras em relação à distruibuição populacional por subprefeituras do município.

Ester Sabino, que esteve à frente dos primeiros mapeamentos dos genomas do coronavírus no Brasil, foi responsável pelas análises sorológicas. O plano dos pesquisadores é continuar o monitoramento de 800 a mil amostras por mês ao longo do ano.    

Pesquisa mostra aumento de anticorpos contra covid-19 na população do Rio

Uma pesquisa do Hemorio mostrou que 28% dos fluminenses que doaram sangue entre o fim de maio e o início de junho apresentaram anticorpos contra o coronavírus. Analisados em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, a Uerj, a UFRJ e a Fiocruz, os números mostram um aumento considerável em comparação com as primeiras semanas de abril. Naquele momento, apenas 4% dos doadores tinham anticorpos. 

O estudo já coletou informações de 7,3 mil pessoas e continua sendo feito. O objetivo é mapear o índice de infectados e de pessoas com anticorpos no Rio. 

“Os doadores de sangue podem ser considerados uma população-sentinela, que nos possibilita acompanhar a curva da doença. Surpreendentemente, um número considerável de doadores já possui anticorpos contra o novo coronavírus, o que pode refletir a realidade da população em geral”, comentou o diretor do Hemorio, Luiz Amorim. 

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