Romeo Ranoco/Reuters
Romeo Ranoco/Reuters

Análise: No Brasil, estamos muito longe de poder abandonar as máscaras

Epidemiologista comenta intenção do governo Bolsonaro de desobrigar uso da proteção para vacinados e para aqueles que se recuperaram da doença. 'O governo federal adota medidas anticiência desde o início da pandemia', diz Hallal

Pedro Hallal*, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2021 | 21h17

A vacinação tem dois objetivos: o da proteção individual e o da proteção coletiva. O uso de máscara pelos já vacinados mira na proteção coletiva porque as vacinas previnem contra infecção e casos graves, mas não na mesma medida contra a transmissão. Então, se os vacinados não usarem máscara, eles podem contribuir para a disseminação do vírus. Essa é a questão central.

O abandono do uso das máscaras tem que ser quando a população estiver perto de alcançar a imunidade de rebanho: cerca de 70% da população com anticorpos. Aqui no Brasil, a estimativa é que nós não tenhamos nem 30% com anticorpos. Então, nós estamos muito longe ainda.

Tem duas questões: primeiro, como seria para fiscalizar isso (a proposta de Bolsonaro)? Então, na prática, é uma carta branca. Vai fiscalizar como se a pessoa já teve covid, se já tomou vacina… Vai parar a pessoa na rua para pedir carteirinha?  É uma piada.

E, segundo, que uma comunicação unificada nunca foi feita no Brasil desde o início da pandemia e não vai ser agora que vai ser feita. Infelizmente essa oportunidade nós perdemos, porque o governo federal adota medidas anticiência desde o início da pandemia.

*É epidemiologista, professor e ex-reitor Universidade Federal de Pelotas

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