Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Andar lento é sinal de envelhecimento acelerado para 'quarentões', diz estudo

Constatação faz parte de estudo divulgado na publicação científica Journal of American Medical Association (Jama) Network Open

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2019 | 18h23

RIO - Estudo divulgado na publicação científica Journal of American Medical Association (Jama) Network Open revela que, para quem mais de 40 anos, andar muito devagar é sinal de envelhecimento acelerado. Já aqueles que, naturalmente, caminham de forma mais acelerada apresentam cérebros e corpos mais jovens. Segundo especialistas, trata-se de um novo marcador de saúde facilmente mensurável.

Os médicos já sabiam que um andar vagaroso em pessoas idosas é um indicativo importante de saúde precária. A nova pesquisa, no entanto, decidiu examinar se o caminhar lento em pessoas de 45 anos seria um sinal de declínio físico e mental.

Segundo a principal autora do estudo, Line Jee Hartmann Rasmussen, que pesquisa envelhecimento na Universidade de Duke, nos EUA, a velocidade da caminhada oferece muitas pistas sobre a saúde das pessoas, mesmo das mais jovens.

“O interessante é que andar parece uma coisa muito simples de se fazer, mas envolve o funcionamento e a coordenação de muitos sistemas diferentes do organismo”, afirmou a cientista em entrevista. “Os pulmões precisam funcionar, o cérebro, o sistema nervoso, os músculos, a capacidade aeróbica; é por isso que é um bom indicador de saúde.”

Rasmussen e seus colegas analisaram dados do Estudo Multidisciplinar de Saúde e Desenvolvimento Dunedin, que acompanhou mais de mil pessoas nascidas na Nova Zelândia entre 1972 e 1973. Os médicos acompanham a saúde dos voluntários desde que eles tinham três anos de idade. Quando completaram 45, os especialistas aferiram a velocidade média em que cada um caminhava.

Os pesquisadores então estimaram o envelhecimento de cada um deles com base em 19 marcadores de saúde -  índice de massa corporal, pressão sanguínea, níveis de colesterol, preparo físico, entre outros. Eles também avaliaram os sinais de envelhecimento do rosto e consideraram ainda resultados de teste de memória e QI, além de exames de imagem do cérebro.

O estudo então comparou as pessoas com a velocidade mais lenta (um metro por segundo) àquelas mais rápidas (1,7 metro por segundo). O resultado foi que os mais lentos também apresentavam piores condições físicas e cognitivas, além de um ritmo mais acelerado de envelhecimento.

Os mais lentos também revelaram “deterioração mais rápidas de diferentes sistemas” e sinais de “comprometimento na integridade da estrutura cerebral”, entre eles o volume total do cérebro (que tende a encolher com a idade). Os rostos também registraram ritmo de envelhecimento mais acelerado.

Não é comum que pessoas na faixa dos 45 anos façam um teste de velocidade de caminhada. Mas dados os resultados do estudo, poderia ser algo acrescentado aos check ups tradicionais.

“Seria muito fácil porque é uma medida muito simples”, sugeriu Rasmussen. “Não custa nada, não é invasivo. É só medir a velocidade de cada um.”

Quer medir a velocidade de suas caminhadas?

  1. Marque no chão uma certa distância. No caso do estudo, a distância usada foi de seis metros.
  2. Caminhe na distância delimitada em seu ritmo normal marcando, num cronômetro, quantos segundos você levará para percorrer o trajeto.
  3. Divida a distância total (no exemplo, seis metros) pelo tempo da caminhada e você chegará a uma velocidade em metros por segundo.
  4. Se o resultado for inferior a um metro por segundo, trata-se de um sinal de que a pessoa precisa de intervenções para prevenir problemas na velhice.

 

Tudo o que sabemos sobre:
envelhecimentoterceira idade

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.