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Anel vaginal dá mais de 80% de proteção a macacas contra SIV

Dispositivo libera um microbicida no organismo que restringiu a infecção por variante símia do vírus causador da aids

Mariana Lenharo,

13 Setembro 2012 | 07h00

 Cientistas desenvolveram um anel vaginal capaz de conferir forte proteção contra o HIV. Em experimento com macacas, o dispositivo foi eficiente em liberar no organismo quantidades ideais do microbicida MIV-150. A ação da substância conferiu às macacas uma proteção média de até 83% contra o SIV, variação do HIV que afeta os macacos.

O estudo foi desenvolvido pela ONG americana Population Council, dedicada a pesquisas em saúde pública, e divulgado na revista Science Translational Medicine. O objetivo da equipe é chegar a um anel vaginal que poderia ser usado por até três meses ininterruptos e que seria capaz de proteger não só contra HIV, mas contra HPV, herpes e outras doenças sexualmente transmissíveis, além de impedir uma gravidez indesejada.

O MIV-150 é da mesma classe de outras drogas já usadas no tratamento contra HIV. Estudos anteriores haviam concluído que a aplicação de géis vaginais contendo alguns tipos de microbicidas ofereciam proteção parcial contra a infecção em mulheres. Um deles foi o ensaio promovido pelo Centre for the Aids Programme of Research in South Africa (Caprisa). Apesar dos resultados positivos, o problema dessa estratégia é que o gel deveria ser aplicado 12 horas antes da relação sexual e 12 horas depois.

Segundo o infectologista Alexandre Naime Barbosa, da Faculdade de Medicina da Unesp, essa exigência dificulta a adesão e torna inviável o uso do gel como estratégia ampla de prevenção. A vantagem do anel vaginal seria conferir proteção contínua.

Nos testes divulgados nesta semana, um grupo de macacas recebeu o anel vaginal com MIV-150 e o outro recebeu o mesmo dispositivo com placebo. Dois modelos de anel foram testados: um de silicone e outro de etileno acetato de vinil. Foram testadas diferentes concentrações de microbicida para se chegar à de maior eficiência e a exposição ao vírus foi feita em dois períodos diferentes: 24 horas ou duas semanas após a implantação do anel.

Conforme o infectologista Olavo Henrique Munhoz Leite, coordenador da Unidade de Referência em Doenças Infecciosas Preveníveis da Faculdade de Medicina do ABC, outros grupos pesquisam o uso do anel vaginal para prevenção do HIV. “Seria mais uma atitude de prevenção para a mulher, que não dependeria da negociação com o homem”, diz Leite.

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