‘Ano é mais quente e traz risco maior’, diz especialista de Oxford

Oliver Brady, epidemiologista britânico, publicou pesquisa há yuma semana na revista médica 'The Lancet'

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2016 | 05h00

Um dos responsáveis por estimar como o zika pode espalhar-se pelo mundo a partir do Brasil, o epidemiologista inglês Oliver Brady, da Universidade de Oxford, falou ao Estado sobre a pesquisa, publicada há uma semana na revista médica The Lancet. Ele se diz um pouco cético sobre uma tendência de longo prazo do aquecimento global já estar fazendo diferença para a transmissão global do zika, mas concorda que a temporada mais quente que vivemos em 2015 está ajudando nesse processo. 

No trabalho vocês estimaram a expansão da doença levando em consideração os perfis de viagens a partir do Brasil. Com o fluxo ampliado que poderemos ter na Olimpíada em agosto, este cenário deve piorar? 

Antes da Copa do Mundo também houve essa preocupação com a dengue, mas medidas preventivas foram adotadas nas cidades-sede e no fim nenhum grande aumento de casos foi observado. A Olimpíada vai acontecer mais tarde no ano, em apenas uma parte do País, e é de se esperar que as autoridades estejam mais bem preparadas pela experiência anterior. Assim, acho que o risco será menor do que havia há dois anos na Copa.

A OMS alertou que o El Niño pode aumentar as populações de mosquitos em muitas áreas. Além desse fenômeno, já podemos imaginar que o aquecimento global esteja impulsionando a epidemia de zika? 

É algo que não testamos ainda nos nossos modelos. O aumento da temperatura e das chuvas vai aumentar o potencial para o vírus se espalhar em algumas áreas, mas pode levar a reduções em outras. Além disso, muitas outras mudanças globais, como urbanização, economia, desenvolvimento, podem ser igualmente ou até mais importantes em determinar o risco futuro. Mas o El Niño deste ano pode significar que o zika se espalhe temporariamente mais para o norte e seja transmitido mais cedo e por mais tempo que em um ano médio, então é preciso preparar respostas para essa potencial ameaça.

De acordo com a Nasa, o ano que passou seria mais quente sem o El Niño. As mudanças climáticas já não podem estar modificando o grau de ameaça? 

Eu diria que, por enquanto, todas as sugestões de que o aquecimento global poderia aumentar o risco para zika são especulativas e ainda não temos evidências para dizer que qualquer aumento ocorra somente por causa do aquecimento global. O que é claro é que 2015 e 2016 apresentam um risco aumentado, por causa de altas temperaturas e chuvas observadas, mas ainda não sabemos se isso vai se confirmar como tendência de longo prazo. 

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