Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Ano-novo chinês em SP tem programação alterada por causa do coronavírus

Em comunicado, organização informou que algumas atrações foram suspensas; comerciantes do bairro da Liberdade temem prejuízos

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2020 | 17h39

SÃO PAULO - A festa do ano-novo chinês prevista para acontecer neste final de semana no bairro da Liberdade, em São Paulo, terá alteração na programação por causa do coronavírus.  Em comunicado, os organizadores da festa afirmam que foram suspensas algumas apresentações com crianças e idosos. O texto recomenda também que membros da comunidade que estiveram na China e retornaram nos últimos 30 dias façam uma "quarentena voluntária".

Diante do cenário de avanço da doença e do noticiário sobre o assunto, comerciantes do bairro da Liberdade temem que “isso atrapalhe" o evento mais rentável do ano . "Normalmente, essa é a melhor data para o nosso comércio. Melhor do que qualquer festa japonesa. O movimento cresce em mais de 50%. Vai ser um problema muito grande aqui se o público deixar de vir por medo do vírus", conta Humberto Higa, 54 anos, dono de um restaurante japonês na rua Galvão Bueno.

Mas, mesmo com esse cenário, comerciantes trabalham nos preparativos para receber o público. As barracas de pastel e de temaki na Praça da Liberdade vão contar com um reforço de pessoal no final de semana. “ Tenho certeza que amanhã o bairro estará cheio. Teremos mais funcionários amanhã para atender ao público”, falou o dono de uma barraca de temaki, José Mello.

“Não tem como prever esse tipo de coisa. O que eu posso dizer é que até agora não afetou nosso comércio. As lojas continuam trabalhando normalmente. Mas vejo mais pessoas com máscaras “, falou a comerciante Alzira Oshiro, 63 anos.

Os chineses da Liberdade são os que menos gostam de falar no assunto. Um comerciante que preferiu não se identificar falou que o medo é que a comunidade fique estigmatizada é que isso atrapalhe, não somente os negócios, mas, principalmente, a vida na cidade de São Paulo.

Heida Li, presidente da associação Brasil-China, afirma que há uma preocupação com a questão de saúde, mas que as comemorações estão mantidas. "A festa não é mais só da comunidade chinesa. É uma festa que já faz parte do calendário da cidade de São Paulo. Claro, prezamos pela segurança e a saúde, mas temos certeza que será uma festa muito bonita, como sempre."

Aumenta venda de máscaras

Enquanto o comércio vive de expectativas, as farmácias tiveram um aumento expressivo na venda de máscaras cirúrgicas - em alguns casos chegando ao fim do estoque. Quando são encontradas, as máscaras são vendidas por R$ 1, 50 a unidade ou em caixas de 50 unidades por R$ 50. Uma atendente de uma farmácia na rua dos Estudantes contou ao Estado que não passa meia hora sem entrar alguém no estabelecimento perguntando sobre as máscaras.

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