Bruno Kelly/REUTERS
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Antaq determina prioridade a cargas de oxigênio e material hospitalar para o Amazonas

Com a nova explosão de casos de covid no Estado, o estoque de oxigênio acabou em vários hospitais de Manaus e do interior na semana passada

Luci Ribeiro, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2021 | 11h44

BRASÍLIA - A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) tornou prioritário, nas travessias reguladas pela agência, o embarque e desembarque de veículos com cargas de material hospitalar ou oxigênio com origem ou destino ao Estado do Amazonas

A decisão da Antaq, publicada no Diário Oficial da União (DOU), ainda estabelece que os operadores da linha de travessia de veículos entre os municípios de Manaus e Careiro da Várzea, na diretriz da Rodovia BR-319, deverão realizar o transporte imediato do veículo com cargas desses materiais. A obrigação desse transporte imediato se dará pela empresa que se encontrar disponível, diz o ato.

O texto também diz que, quando necessário, a Antaq emitirá autorização emergencial para o transporte longitudinal de cargas e para o transporte misto de passageiros e cargas de material hospitalar e oxigênio, comprimido ou líquido refrigerado, para a região hidrográfica amazônica.

Colapso em Manaus

Com a nova explosão de casos de covid no Amazonas, o estoque de oxigênio acabou em vários hospitais de Manaus na semana passada, levando pacientes internados à morte por asfixia. Alguns pacientes chegaram a ser transferidos para outros Estados. 

Em Coari, a 362 quilômetros de Manaus, sete pessoas morreram de segunda para terça-feira, 19, por falta de oxigênio no hospital regional. A prefeitura da cidade acusou o Estado de reter 200 cilindros. Conforme o governo, o Estado teria enviado 40 cilindros na segunda, mas o avião que realizaria o desembarque dos equipamentos foi direto para o município de Tefé, a 523 km da capital, impossibilitando o retorno a Coari já que o aeroporto local não opera voos noturnos.

Na divisa do Pará com o Amazonas, a situação também é dramática: seis pessoas morreram ontem por asfixia no município de Faro, no Pará, segundo a prefeitura da cidade de 12 mil habitantes. A realidade no local é de colapso na área da saúde com a falta de oxigênio, leitos e medicamentos para os pacientes em tratamento da covid-19. 

A situação mais preocupante é na comunidade de Nova Maracanã, onde pelo menos 34 pacientes estão hospitalizados. O município pede ajuda para transferir oito doentes que estão em estado grave e necessitam com urgência de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A falta de estrutura para atender a demanda de infectados também atinge as cidades vizinhas de Terra Santa (PA) e Nhamundá (AM).

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