Anticoncepcional genético pode chegar ao mercado em 10 anos

Técnica desativa um gene que torna a superfície do óvulo da mulher receptiva para o gameta masculino

18 de outubro de 2007 | 14h42

Baseados em uma técnica que rendeu o Prêmio Nobel de Medicina do ano passado, cientistas estão desenvolvendo um "anticoncepcional genético" capaz de interferir nos óvulos da mulher, disse o jornal britânico The Guardian em sua edição de quarta-feira, 17. Testes em animais podem ocorrer dentro de cinco anos, e, se o método funcionar e for seguro, dentro de dez anos um produto poderá ser desenvolvido para uso humano, provavelmente na forma de supositório ou adesivo para a pele.   Como um anticoncepcional genético não inundará o corpo de hormônios sexuais, isso evitará muitos dos efeitos colaterais causados pelas pílulas convencionais, acreditam os pesquisadores citados pelo diário.   Zev Williams e sua equipe no Brigham and Women’s Hospital em Boston, parte da Escola de Medicina de Harvard, usaram a técnica de interferência de RNA para bloquear um gene chamado ZP3.   Normalmente, o gene produz uma proteína que recobre o exterior do óvulo e é vital para o espermatozóide prender-se a ele para alcançar a fertilização. Williams primeiramente reproduziu camundongos com o gene ZP3 desativado. Os animais desenvolveram-se de maneira saudável, mas completamente estéreis.   Em testes posteriores, a equipe demonstrou que podia usar a interferência de RNA também para bloquear temporariamente 95% da atividade do ZP3 em células humanas. A pesquisa foi anunciada durante a reunião anual da American Society for Reproductive Medicine em Washington.

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