Ulrich Perrey/POOL/AFP
Ulrich Perrey/POOL/AFP

Antiviral remdesivir detém avanço da covid-19 em macacos

Remédio já havia apresentado resultados promissores em pacientes graves que tiveram rápida recuperação de febre e sintomas respiratórios

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2020 | 01h59

O antiviral experimental remdesivir deteve o progresso da covid-19 em macacos, revela um estudo publicado na sexta-feira, 17, pelo Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infectocontagiosas dos Estados Unidos

A experiência preliminar, ainda não analisada pela comunidade científica, foi realizada para complementar estudos que utilizam o remdesivir em pacientes hospitalizados com o novo coronavírus.

O estudo empregou dois grupos compostos por seis macacos, que foram inoculados com o vírus SARS-CoV-2 responsável pela pandemia. Um dos grupos recebeu o remdesivir, desenvolvido pelo laboratório americano Gilead Sciences, e o outro não teve tratamento. 

Doze horas após a inoculação do vírus, o grupo de teste recebeu uma "dose de remdesivir por via intravenosa" e "uma dose de reforço diária durante seis dias", explicou o Instituto. 

Os pesquisadores se concentraram em administrar o tratamento antes da doença alcançar sua maior virulência nos pulmões. Apenas um dos macacos tratados com o antiviral apresentou leves dificuldades respiratórias, enquanto todos os animais não tratados tiveram problemas para respirar.  "A quantidade de vírus presente nos pulmões foi muito mais baixa no grupo tratado (...) e o SARS-CoV-2 causou menos danos a estes animais em relação aos não tratados", destacaram os cientistas. 

O antiviral remdesivir foi um dos primeiros medicamentos utilizados como tratamento experimental contra o novo coronavírus. Os testes clínicos se encontram em uma etapa avançada de desenvolvimento. 

O site americano de notícias de saúde Stat informou que o antiviral se mostrou muito eficaz em um hospital de Chicago onde estão várias pessoas que participam dos testes. Pacientes graves tiveram rápida recuperação de febre e sintomas respiratórios.

O remdesivir se modifica no organismo para se parecer com um dos quatro elementos constitutivos do DNA, os nucleotídeos. Quando os vírus se replicam, o fazem "rapidamente e com um pouco de negligência", explica o virologista Benjamin Neuman, da Universidade do Texas A&M, em Texarkana. O remdesivir aproveita isso para se incorporar ao vírus e produzir mutações que o destroem. / AFP

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