Anúncio na TV americana ataca os cachorros-quentes

No vídeo, crianças falam que carnes processadas fizeram com que tivessem câncer de cólon

AP

27 de agosto de 2008 | 16h39

Um novo comercial mostra crianças comendo hot dogs em uma lanchonete de escola e um pequeno menino lamenta: "Eu fiquei chocado quando meu médico me disse que tenho câncer de cólon."   É uma surpresa que um comercial coloque a comida mais amada do país como a vilã, enquanto cria medo sobre a terrível doença.  Mas o menino não tem câncer. Nem as duas outras crianças do comercial que dizem ter sido atingidas pela doenças. A organizações pró-vegetariana responsável pelo comercial diz que ele é uma dramatização que destaca pesquisas que ligam carnes processadas, incluindo salsichas, com maiores chances de câncer no cólon.  Mas essa conexão se baseia em estudos em adultos, não crianças, e o aumento do risco é pequeno, mesmo se você comer um hot dog por dia. Embora significativo, o estudo não é decisivo.  Então, qual é a verdade sobre os hot dogs? O anúncio de 33 segundos, lançado no mês passado em diversas cidades dos Estados Unidos, dá a oportunidade perfeita para separar a verdade dos mitos sobre essa carne misteriosa e familiar. Em um ponto a maior parte dos nutricionistas concordam: cachorros-quentes podem não ser uma comida exatamente "saudável", mas comer um de vez em quando provavelmente não fará mal.  "Minha preocupação sobre essa campanha é que ela esteja indicando que o hot dog ocasional no almoço da escola vá aumentar os riscos de câncer", disse Colleen Doyle, diretora da Sociedade Americana de Câncer. Os americanos como um todo comem hot dogs mais que ocasionalmente. De acordo com o Conselho Nacional de Cachorros-Quentes e Salsichas, consumidores americanos gastaram mais de US$ 4 bilhões de dólares nesses alimentos em 2007. Isso inclui 680 milhões de quilos de salsichas em lojas do varejo, apenas.  As preocupações com a saúde começam em seu alto nível de gordura e sal, além de conservantes e corantes. Substâncias ligas ao nitrato parecem causar câncer em animais, mas não há provas que aconteça o mesmo em humanos.  Hot dogs contêm tipicamente carne de músculo e pedaços de carne de porco. Ao contrário das lendas, não se usam olhos ou genitais para fazer as salsichas, disse Janet Riley do Conselho.  No entanto, o governo permite que salsichas contenham focinhos e estômagos de porco, lábios e fígados de vacas, tubos respiratórios de cabras e patas de carneiros. Se elas contiverem tais produtos, suas etiquetas devem listá-los, disse o porta-voz do Departamento de Agricultura.  O Conselho do Cachorro-Quente chamou o novo anúncio de uma tática alarmista para assustar os consumidores, mas seus promotores convocaram um grupo chamado The Cancer Project para defender sua campanha. Neal Barnard, presidente do Comitê de Médicos para uma Medicina Responsável, chamou o anuncio de "uma maneira de conseguir a devida atenção para um problema que pode ser mortal." Embora o hot dog seja considerado um símbolo nacional, Barnard acredita que essas tradições sempre podem ser mudadas para hábitos mais saudáveis.  O anúncio é parte de uma campanha para melhorar os alimentos nas escolas. O Cancer Project quer que o governo pare de comprar qualquer tipo de carne processada para os menus escolares.

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