PFIZER/REUTERS - 26/11/2021
PFIZER/REUTERS - 26/11/2021

Anvisa aprova uso emergencial do remédio Paxlovid, 1ª pílula antiviral para tratar covid no País

Produzido pela Pfizer, remédio reduz em 89% o risco de internação e morte em decorrência da doença, segundo resultados divulgados pela farmacêutica. Não à toa, já é usado em países da Europa e nos EUA

Ítalo Lo Re, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2022 | 18h03
Atualizado 31 de março de 2022 | 14h13

SÃO PAULO – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira, 30, o uso emergencial do medicamento Paxlovid, a primeira pílula antiviral de via oral a receber sinalização positiva para tratamento da covid-19 no País. 

Produzido pela Pfizer, o remédio reduz em 89% o risco de internação e morte em decorrência da doença, segundo resultados divulgados pela farmacêutica. Não à toa, já é usado em países da Europa e nos Estados Unidos.

No Brasil, o pedido de uso emergencial foi apresentado pela Pfizer no dia 15 de fevereiro. Conforme a Anvisa, após análise dos documentos submetidos pela farmacêutica, a decisão de aprovar o uso emergencial foi tomada durante reunião da diretoria colegiada da agência. 

O Paxlovid deve ser administrado nos primeiros dias de sintomas e é indicado para adultos que  não requerem oxigênio suplementar, mas que, ainda assim, apresentam risco aumentado de progressão para covid grave. O remédio é composto por dois comprimidos: de nirmatrelvir e ritonavir, que devem ser administrados de forma conjunta.

De acordo com a Anvisa, o medicamento não está autorizado para uso por mais de cinco dias. Além disso, como não há dados do uso do Paxlovid em mulheres grávidas, não é recomendado para gestantes. Assim como para pacientes com insuficiência renal grave ou com falha renal, uma vez que a dose para essa população ainda não foi estabelecida. 

O medicamento, que é de uso adulto e deve ser vendido sob prescrição médica, possui aprovação para uso emergencial em agências regulatórias de Estados Unidos, Europa, Reino Unido, Canadá, China, Austrália, entre outros locais.

No Brasil, este é o oitavo remédio que teve uso emergencial aprovado pela Anvisa para tratar a covid, sendo que um deles – o Xeljanz, também da Pfizer – teve o uso revogado. A maioria, contudo, consiste em anticorpos monoclonais, que são direcionadas para uso em contexto hospitalar.

Remédios contra a covid ainda não foram incorporados pelo SUS

Em linhas gerais, os remédios para a covid se dividem em duas frentes: a das pílulas antivirais de via oral, que podem ser efetivas quando administradas no início dos sintomas, e a dos anticorpos monoclonais, que simulam a proteção conferida pela vacina em diferentes estágios da infecção.

Até o início desta semana, somente o segundo tipo havia recebido aval no Brasil. Os anticorpos monoclonais, inclusive, correspondem à maioria dos remédios para tratar a covid aprovados pela agência. Ainda assim, nenhum de seus representantes, como o Sotrovimabe ou o Regdanvimabe, foi incorporado para uso na rede pública.

Conforme mostrou o Estadão no início desta semana, os medicamentos com eficácia comprovada contra a covid-19 ainda não estão incorporados para tratamentos pelo Sistema Único Saúde (SUS). Como um dos principais entraves apontados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), que recomenda ou não essa inclusão, está o preço dos tratamentos.

No caso das pílulas antivirais de via oral, como o Paxlovid e o Molnupiravir – remédio desenvolvido pela Merck Sharp & Dohme (MSD) –, não houve sequer pedido de incorporação para uso no SUS, uma vez que elas não estavam aprovadas pela Anvisa. Para o Molnupiravir, essa limitação continua. Com o aval para o Paxlovid, abre-se uma nova possibilidade de solicitação.

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