Anvisa aprova 1ª vacina contra dengue no País

A decisão, publicada hoje no Diário Oficial, permite que o imunizante seja comercializado, mas não significa que ela passará a ser adotado no Sistema Único de Saúde

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

28 Dezembro 2015 | 13h30

Atualizada às 16h03

BRASÍLIA - A vacina contra dengue produzida pela Sanofi Aventis foi liberada no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu o registro para o produto. A decisão, publicada nesta segunda-feira (28) no Diário Oficial, permite que o imunizante seja comercializado, mas não significa que ela passará a ser adotado no Sistema Único de Saúde. Para isso, é preciso a aprovação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologia no SUS (Conitec). Nessa avaliação, é levada em conta, por exemplo, a relação entre  benefício do produto e o impacto para o orçamento público.

 A comercialização também não é imediata. Só poderá ser feita depois que o preço for fixado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed).

A vacina produzida pela Sanofi Aventis é a primeira validada para uso no Brasil. Ela passa a ser indicada para proteção contra os sorotipos 1, 2, 3 e 4 da dengue na população com idade entre 9 e 45 anos. De acordo com a agência, não há atualmente dados suficientes para comprovação da segurança do uso da vacina em outras faixas etárias. O produto não protege contra zika nem chikungunya.

O imunizante apresentou uma eficácia global de 65,6% contra a doença. Essa, no entanto, é a média. Os índices de proteção variam bastante de acordo com sorotipo. Contra o tipo 1, por exemplo, é de 58,4%. Já contra o subtipo 2, a proteção é inferior: 47,1%. Contra o sorotipo 3 é de 73,6% e de 83,2% contra o sorotipo 4. A redução da hospitalização por dengue está calculada em 80%.

O pedido de registro da vacina da Sanofi havia sido apresentado em março. Além do Brasil, o produto já teve registro concedido no México e Filipinas.

A vacina da Sanofi deve ser aplicada em três doses, ao longo de um ano.

Quando a solicitação começou a ser avaliada, o ministro da Saúde, Marcelo Castro, mencionou que o maior problema era o custo. Cada dose custa cerca de 20 euros. “Para uma população de 200 milhões de habitantes, é completamente inviável”, disse há cerca de duas semanas.

Uma outra alternativa está em testes no Instituto Butantã, em parceria com o NIH dos Estados Unidos. No início do mês tinha recebido sinal verde da Anvisa para o início da fase 3 das pesquisas.

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