Mayela Lopez/Reuters
Mayela Lopez/Reuters

Anvisa arquiva pedido de uso emergencial da vacina da CanSino, um dos alvos da CPI da Covid

Agência alegou ‘falta de alinhamento’ entre a fabricante e a empresa que protocolou o pedido de autorização para uso emergencial no Brasil

Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2021 | 00h44

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu arquivar o pedido de uso emergencial da vacina contra covid-19 Convidecia, produzida pelo laboratório chinês CanSino. De acordo com o órgão, a decisão foi tomada devido à falta de alinhamento entre a fabricante e a Belcher Farmacêutica do Brasil Ltda, que protocolou o pedido de autorização para uso emergencial.

A CanSino entrou em contato com a Anvisa em 17 de junho informando que a Belcher Farmacêutica do Brasil Ltda e o Instituto Vital Brazil S.A não possuíam mais autorização para representar o laboratório no Brasil, tampouco requisitar o uso emergencial do imunizante. Dez dias depois, a orientação foi reforçada pela CanSino. Assim, diz a Anvisa, as duas empresas não têm legitimidade para atuar nos processos administrativos.

As negociações do governo federal para comprar o imunizante da CanSino estão na mira da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. O colegiado quer investigar a ligação do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas-PR), na aquisição das doses da CanSino, da russa Sputnik e da indiana Covaxin, hoje o foco das apurações. As três vacinas são mais caras e teriam de ser compradas de laboratórios internacionais por meio de empresas intermediárias no Brasil com relações com o político paranaense.

O governo federal sinalizou a disposição de comprar 60 milhões de doses da Convidecia, a US$ 17 por dose. O valor total seria de aproximadamente R$ 5,036 bilhões e seria pago por meio da Belcher Farmacêutica, empresa sediada em Maringá (PR), reduto eleitoral de Ricardo Barros. O líder do presidente Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados é ex-prefeito do município.

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