Dengue: vacina do Butantã tem pendências

Pedido para liberação da fase 3 de testes da vacina contra a doença produzida pelo Instituto Butantã ainda não foi autorizado pela Anvisa

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

10 Junho 2015 | 18h28

Atualizada às 22h16

BRASÍLIA - O pedido para a liberação da fase 3 de testes da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantã ainda não foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A primeira análise, feita em caráter emergencial, a pedido do instituto, foi concluída há alguns dias. A equipe técnica da Anvisa identificou algumas pendências que precisam ser resolvidas pelo instituto. É preciso que as exigências sejam solucionadas para que a autorização seja emitida.

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou que, num cenário otimista, a vacina do Butantã deverá ser oferecida somente em 2018. “Temos o maior interesse de que o produto esteja disponível rapidamente, mas temos de ser francos”, disse nesta quarta, durante audiência pública realizada no Senado. 

O ministro observou ser necessária a conclusão da fase 3 da pesquisa e a construção de uma área industrial somente para produção da vacina. Chioro rebateu as afirmações de que a Anvisa teria responsabilidade no atraso da pesquisa feita pelo Butantã. Segundo o ministro, em fases anteriores, o próprio instituto demorou para apresentar documentos considerados essenciais para avaliar fases anteriores da pesquisa. A reportagem não conseguiu contato com o Butantã na noite desta quarta.

O ministro informou ainda não estar animado a incorporar no Sistema Único de Saúde (SUS) a vacina da Sanofi Pasteur, o produto que está na fase mais adiantada de desenvolvimento, já com pedido de registro na Anvisa. “Não me sinto estimulado. Ela não tem boa capacidade de resposta ao surto.” 

Para justificar a falta de entusiasmo com o produto, Chioro citou a necessidade de aplicar três doses do imunizante e o fato de a vacina não ser indicada para dois grupos de alta vulnerabilidade: crianças e idosos.

O ministro salientou que sua opinião sobre a vacina da Sanofi não é a decisão de governo. “Essa é a minha avaliação técnica. Essa vacina tem uma limitação”, disse. Ele lembrou que a decisão final será dada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS.

A Sanofi Pasteur informou que a recomendação sobre o público-alvo da vacina é definida pela autoridade local, não pela indústria. A empresa afirmou também que a redução de casos graves é superior à que foi citada pelo ministro: 95%, e o número de internações, de 80,3%. 

Casos. Entre os meses de abril e maio, o Brasil registrou uma queda de 68% dos casos de dengue, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 10, pelo ministério. No mês passado, foram identificados 111,1 mil pacientes com a infecção. Em abril, haviam sido contabilizados 348,2 mil casos.

Neste ano, foi comunicado 1 milhão de casos prováveis da doença, 148% a mais do que foi registrado em 2014. Quase metade dos casos está concentrada no Estado de São Paulo, com 496 mil infecções. Durante o ano, foram identificadas 378 mortes pela doença, a maioria (256) em São Paulo.

Mais conteúdo sobre:
Anvisadengue

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.