Anvisa e PF investigam morte de norte-americana em transatlântico

Polícia Federal aguarda laudo cadavérico para avaliar a necessidade de abertura de inquérito; de acordo com a Anvisa, vítima pode ter morrido por conta de um surto de intoxicação alimentar

Solange Spigliatti e Marcela Gonsalves, Central de Notícias,

22 de novembro de 2011 | 10h05

SÃO PAULO - A Polícia Federal vai investigar a morte de uma passageira de nacionalidade norte-americana que estava em um transatlântico de origem holandesa que atracou na manhã desta terça-feira, 22, no Porto do Rio.

 

Segundo a PF, uma equipe da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez uma inspeção sanitária no navio, que chegou do Uruguai. A PF também encaminhou uma equipe de peritos ao local para colher o depoimento do médico do navio e aguardará o laudo cadavérico para avaliar a necessidade de abertura de inquérito.

 

Passageiros que já desembarcaram contaram que algumas pessoas sentiram dores de barriga durante a viagem. Um deles, o turista norte-americano Richard Rezba, 67 anos, relatou ter constatado esse sintoma cerca de dez dias atrás, depois que saiu para comer em um restaurante no Chile.“Apenas senti uma dor de barriga, fui medicado e agora me sinto bem”, contou.

 

Números. De acordo com relatório da Anvisa divulgado em setembro deste ano, inspeções feitas em 41 dos 45 navios de cruzeiro que estiveram na costa brasileira na temporada passada (outubro de 2010 a maio de 2011) mostra que 27% apresentaram número de irregularidades sanitárias superior ao considerado satisfatório pela Agência. Os problemas vão do armazenamento inadequado de alimentos à falta de condições higiênicas na água oferecida aos passageiros.

 

Na inspeção, os fiscais listaram os itens sanitários. Quando o navio cumpre 90% deles, o índice é satisfatório - ele foi alcançado por 30 embarcações na última temporada. O pior resultado, 78%, foi o do navio Costa Fortuna, da italiana Costa Cruzeiros. Procurada, a empresa afirmou que segue padrões rígidos para garantir a qualidade dos alimentos e nunca registrou, em 63 anos de operação no País, nenhum caso de irregularidade.

 

Entre os alimentos, a maior parte das irregularidades (44%) envolve a existência de materiais em desuso ou estranhos na área de recebimento da comida, como vassouras. Alimentos que não são mantidos sob condições ideais de temperatura e clima correspondem a 26%. Outros 26% dizem respeito a talheres não embalados em invólucros descartáveis - em cruzeiros, o uso de guardanapos para esse fim não é permitido.

 

Apesar das falhas sanitárias, houve queda no total de doentes. Foram 792 em 2010/2011 contra 4.442 casos em 2009/2010. Na última temporada, a maioria dos casos foi de diarreia (466), seguida por influenza (297) e catapora (19). O episódio com o maior número de doentes foi em 23 de março: 53 casos de diarreia em um navio que passou por Recife, Fortaleza e Belém.

 

* Texto atualizado às 16h20

 

 

(Com Agência Brasil e Tiago Rogero, de O Estado de S. Paulo)

 

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