Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Anvisa interdita 12 milhões de doses da Coronavac envasadas em fábrica sem autorização

Decisão é cautelar enquanto agência avalia condições de produção de planta fabril na China; outras 9 milhões de vacinas do mesmo lote estão em processo de envio para o Brasil. Butantan diz que medida 'não deve causar alarmismo'

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2021 | 14h59
Atualizado 04 de setembro de 2021 | 21h17

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou neste sábado, 4, a interdição cautelar de 25 lotes da Coronavac envasados em uma fábrica chinesa não inspecionada pelo órgão federal. A distribuição e a aplicação de cerca de 12,1 milhões de doses destes lotes estão proibidas por até 90 dias, enquanto as demais seguem com uso liberado. O Instituto Butantan disse que a medida “não deve causar alarmismo” e destacou que o produto é seguro.

Em nota, a Anvisa afirmou ter sido informada pelo Butantan em reunião na sexta-feira e por ofício. As doses foram envasadas (em frascos com uma e duas doses) em uma fábrica do laboratório Sinovac (desenvolvedor da vacina) na China que não foi inspecionada e liberada para uso emergencial no Brasil. 

O Ministério da Saúde não informou se houve pessoas já vacinadas com essas doses. O governo de São Paulo também não esclareceu se a medida altera o cronograma de vacinação e aplicação da 3ª dose em idosos, prevista para começar na segunda-feira. 

A Bahia disse ter recebido três dos 25 lotes suspensos. Cerca de 234 mil doses haviam sido enviadas a 294 cidades, que segundo o governo foram orientadas a suspender a aplicação. “As pessoas imunizadas com estes lotes devem aguardar orientação” federal, orientou. Em comunicado, o Rio disse ter recebido só um dos lotes, cuja distribuição não havia começado. O Paraná também recebeu doses de lotes suspensos e disse aguardar orientações das autoridades.

Outra encomenda de 9 milhões de doses também produzida na mesma unidade está em processo de envio para o Brasil. A agência disse que “trabalhará na avaliação das condições de boas práticas” da fábrica e “no potencial impacto dessa alteração de local nos requisitos de qualidade, segurança e eficácia, e do eventual impacto para as pessoas que foram vacinadas”.

Ao jornal O Globo, o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, disse que não há motivo para pânico. “A população não deve entender esse ato como nada além de cautela”, afirmou ele, que não descartou mandar fiscais à China para uma inspeção. 

Em nota, o Instituto Butantan, que produz a Coronavac no Brasil, disse ter enviado à Anvisa toda a documentação necessária. “A vacina do Butantan é o imunizante mais seguro à disposição do Programa Nacional de Imunizações (PNI), por causa da sua plataforma de vírus inativado”, declarou. O instituto informou que os lotes estão de posse do ministério e convidou a Anvisa para conhecer as instalações da Sinovac. 

Os lotes das 12 milhões doses interditadas que estão no Brasil são: 202107101H, 202107102H, 202107103H, 202107104H, 202108108H, 202108109H, 202108110H, 202108111H, 202108112H, 202108113H, 202108114H, 202108115H, 202108116H, L202106038, J202106025, J202106029, J202106030, J202106031, J202106032, J202106033, H202106042, H202106043, H202106044, J202106039 e L202106048. Já as 9 milhões de doses que estão em tramitação para chegar no País são dos lotes: 202108116H, 202108117H, 202108125H, 202108126H, 202108127H, 202108128H, 202108129H, 202108168H, 202108169H, 202108170H, 2021081701K, 202108130H, 202108131H, 202108171K, 202108132H, 202108133H e 202108134H.

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