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Anvisa decide banir uso de gordura trans em alimentos industrializados até 2023

Restrições serão aplicadas em duas fases: na primeira, haverá um limite de 2% sobre o teor total de gordura, e, na segunda, a proibição do uso do ingrediente. Medida é para reduzir consumo da substância, associada a doenças cardíacas e ao aumento de mortes

Paula Felix e Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

17 de dezembro de 2019 | 14h53
Atualizado 18 de dezembro de 2019 | 15h47

SÃO PAULO - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira, 17, resolução para banir o uso de gorduras trans industriais em alimentos até 2023. O objetivo da norma é reduzir o consumo da substância, presente principalmente em alimentos industrializados, como biscoitos, massas instantâneas, margarinas, sorvetes, pratos congelados, chocolates e pipoca de micro-ondas.

Diversos estudos apontam relação entre o consumo desse tipo de gordura e o aumento do risco de doenças cardiovasculares. Segundo a Organização Panamericana da Saúde (Opas), dietas ricas em gordura trans aumentam em 21% o risco de doenças cardíacas e em 28% o risco de morte.

A estimativa da Opas é que a substância esteja relacionada a 160 mil óbitos por ano nas Américas. No Brasil, estima-se que o consumo excessivo de gordura trans seja responsável por 18 mil mortes por doenças coronarianas anualmente.

Segunda a resolução aprovada pela Anvisa, as restrições ao uso de gordura trans serão aplicadas em duas fases principais. Na primeira, que entrará em vigor em julho de 2021, será imposto um limite de 2% de gordura trans sobre o teor total de gordura de cada produto. A norma vale tanto para produtos industrializados quanto para os comercializados no varejo e atacado, como frituras vendidas em restaurantes fast-food.

Na segunda etapa, que entrará em vigor em janeiro de 2023, a indústria ficará proibida de usar o ingrediente gordura parcialmente hidrogenada, principal fonte de gordura trans nos alimentos.

Estudos apontam que o consumo diário de 1% de gordura trans sobre o valor total de calorias já eleva o risco de doenças cardiovasculares. Em sua justificativa para aprovar a norma, a Anvisa destacou que, em 2008, a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já apontava o consumo diário de gorduras trans de no mínimo 1% do valor energético total (VET) para todas as faixas etárias, com os adolescentes chegando a 1,2%. Em 2010, o consumo geral havia crescido para 1,8% em todas as faixas etárias. “Desde 1990, evidências científicas apontam para riscos à saúde decorrentes desses ingredientes, como aumento do colesterol ruim (LDL) no organismo e redução do colesterol bom (HDL)”, destacou, em nota, a Anvisa.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem publicado recomendações para redução do consumo de gorduras trans desde 2004 e, atualmente, 49 países já contam com medidas para restringir a presença da gordura nos alimentos, entre eles EUA, Canadá e Chile.

Em nota, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) afirmou que a mudança contou com o apoio da entidade e que o setor já vem reduzindo a quantidade de gordura trans nos produtos.

“O setor sabe da importância dessa medida para o consumidor. As empresas associadas da Abia já vêm, há alguns anos, alterando suas fórmulas com o objetivo de diminuir significativamente o teor de gorduras trans dos alimentos. Portanto, o impacto das novas regras deverá ser mínimo. A indústria brasileira investe consistentemente na inovação de seu portfólio. Já reduziu os teores de gorduras trans e sódio dos alimentos e está em processo a redução de açúcares.”

 

‘Não adianta só passar o olho na frente do produto’

Desde que teve filhos, a empresária Denise Haendchen Gonzalez, de 40 anos, passou a prestar mais atenção aos rótulos dos alimentos para evitar o consumo de gordura trans e outras substâncias prejudiciais, como corantes e açúcares.

Além de se informar sobre os riscos da ingestão da substância à saúde, ela diz ficar atenta também a todas as informações trazidas na embalagem, não só às mais aparentes. “Não adianta só passar o olho na frente do produto porque às vezes está escrito que é zero gordura trans, mas quando você olha a lista de ingredientes, nas letras pequenas, está lá descrito o uso de gordura vegetal hidrogenada”, diz. “É muito revoltante porque a população é enganada nos rótulos.”

Ela diz que, além de checar os rótulos dos alimentos industrializados, também busca saber os ingredientes dos alimentos vendidos em padarias, casas de bolo e restaurantes. “Sei que não dá para não consumir nada porque todo alimento tem um pouco, mas tento reduzir ao máximo o consumo, fazer a minha parte”, diz. /COLABOROU JÚLIA MARQUES

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