Anvisa reforça monitoramento contra gripe suína no Tom Jobim

Passageiros que chegaram de Miami, nos EUA, tiveram que responder a questionário; operação foi criticada

Solange Spigliatti, do estadao.com.br, e Nicola Pamplona, de O Estado de S. Paulo,

09 Maio 2009 | 13h13

A Vigilância Sanitária do Rio de Janeiro começou a reforçar na manhã desde sábado, 9, o monitoramento de passageiros que chegam de países em que foram registrados casos de gripe suína no Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, no Rio.

 

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documento Folheto oficial do Ministério da Saúde  

 

Às 9 horas, quem veio no voo da American Airlines de Miami foi recebido no setor de desembarque por agentes das secretarias de Saúde do município e do Estado e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, e teve que preencher formulários com seus dados e a responder perguntas sobre seu estado de saúde, em entrevistas individuais. Nenhum deles tinha sintoma da doença.

 

A operação da Anvisa, porém, recebeu críticas dos passageiros. "Achei uma operação mal feita, pois colocaram todo mundo em uma sala fechada, que aumentava os riscos de contaminação das pessoas. E se tivesse alguém infectado ali?", reclamou Bruno Vidigal de Carvalho, diretor da empresa Altatech Offshore, que vinha de Houston. Os passageiros não receberam máscaras nem instruções sobre como se comportar durante o tempo em que ficaram na sala.

 

O avião, da companhia American Airlines, foi impedido de parar no terminal, sendo direcionado a uma área distante do aeroporto. De lá, os passageiros seguiram para a sala onde estavam os agentes da Anvisa. A triagem, porém, não era rigorosa - muitos passageiros sequer foram perguntados sobre possíveis sintomas da gripe.

 

Após responder o questionário, que continha perguntas sobre procedência e endereço no Brasil, foram todos encaminhados à área de desembarque. Lá, houve distribuição de panfletos com recomendações sobre o que fazer em caso de aparecimento dos sintomas. Na saída do terminal, nenhum passageiro usava máscaras cirúrgicas.

 

A atuação da Anvisa indica maior cautela com relação à estratégia adotada nos Estados Unidos, onde as autoridades vêm focando o trabalho de prevenção em informações sobre higiene pessoal, como lavar as mãos com água e sabão e evitar levar as mãos à boca e aos olhos. Nos aeroportos de Houston e Miami, não há triagens nem aplicação de questionários. Poucas pessoas são vistas com máscaras, sejam passageiros ou funcionários.

 

Medidas

 

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, a decisão de reforçar o monitoramento foi tomada por autoridades sanitárias e gestores em reunião na sexta-feira, no Centro Estadual de Administração de Desastres, na Defesa Civil, na Praça da Bandeira. A finalidade do encontro foi apresentar as principais medidas tomadas pelo Gabinete Integrado de Emergência para a Influenza A (H1N1) para prevenção e enfrentamento ao vírus no País.

 

Entre as medidas está o monitoramento no Aeroporto Internacional, que conta com uma área de recepção e acolhimento com 100 assentos, local para entrevista de passageiros suspeitos de estarem com a doença, cinco quartos de observação, mais uma área com 24 assentos, onde pacientes menos graves poderão aguardar, até serem transferidos para um hospital de referência para tratamento da gripe.

 

Quatro ônibus e uma van foram disponibilizados para possibilitar o monitoramento de casos suspeitos com recursos tecnológicos de ponta, uma espécie de Centro de Referência itinerante. Estes são equipados com computadores conectados à Internet, telão com videoconferência, sala de reuniões para execução de planos operacionais, transmissão de dados, imagens, informações em tempo real e ar condicionado. O número de veículos pode chegar a 11, caso seja necessário.

 

Outra medida anunciada durante a reunião foi a definição dos quatro hospitais de referência para internação de possíveis doentes: o Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec/Fiocruz), Instituto Estadual de Infectologia, localizado no Iaserj Central, o Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e o Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ao todo, neste momento, são 100 leitos disponibilizados.

 

Infectados

 

O segundo jovem internado com gripe suína no Hospital Clementino Fraga Filho, da UFRJ, continua com febre, segundo o diretor da unidade, Alexandre Cardoso. A mãe do rapaz também foi internada neste sábado no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Fundão, com sintomas da doença, segundo informações de funcionários do hospital. A informação ainda não foi confirmada pelo Ministério da Saúde.

 

O rapaz está no quinto dia de enfermidade, mantendo febre desde a internação. Os sinais e sintomas respiratórios evoluíram nesta sexta-feira, 8. Não há evidência de pneumonia bacteriana e permanece com quadro respiratório que sugere pneumonia viral. Ainda segundo a assessoria do hospital, ele amanheceu melhor, e permanece em tratamento.

 

O amigo que viajou ao México e lhe transmitiu o vírus Influenza A - no primeiro caso de contaminação dentro do Brasil - está "praticamente assintomático", mas só terá alta quando o ciclo do vírus tiver terminado, ou seja, em dez dias, segundo o diretor do hospital, Alexandre Cardoso. As famílias dos dois, ambas da Ilha do Governador, zona norte do Rio, estão sendo monitoradas.

 

Na Bahia, a Secretaria da Saúde informou que os exames de duas pessoas suspeitas de terem contraído a gripe H1N1 deram negativo. Os exames haviam sido enviados para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro.

 

O Ministério da Saúde acompanha 30 casos suspeitos de Influenza A (H1N1) no país. As amostras com secreções respiratórias desses pacientes estão em análise laboratorial. Os casos suspeitos estão nos estados de São Paulo (12), Rio de Janeiro (1), Minas Gerais (4), Paraná (4), Distrito Federal (2), Goiás (2), Santa Catarina (1), Mato Grosso do Sul (1), Pernambuco (1), Ceará (1) e Rondônia (1).

 

Além disso, 25 casos estão em monitoramento, em oito estados; e chegou a 123 o número de casos descartados. Os números referem-se a informações repassadas pelas Secretarias Estaduais de Saúde até as 9 horas deste sábado.

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