Dave Chan/The New York Times
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Anvisa rejeita plantio de maconha, mas presidente da agência diz que tema pode voltar à pauta

Dessa forma, as empresas que se instalarem no Brasil para produzir medicamentos à base de cannabis precisarão importar os insumos para fabricar seus produtos

Patrik Camporez, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2019 | 15h34

BRASÍLIA - Depois de aprovar, por unanimidade, a fabricação  e venda de medicamentos a base de maconha no País, a diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)  decidiu vetar o plantio da erva em território nacional para fins científicos e medicinais. O único voto favorável ao plantio foi o do presidente da agência, William Dib. Três diretores votaram contra o cultivo.

Dessa forma, as empresas que se instalarem no Brasil para produzir medicamentos à base de cannabis precisarão  importar os insumos para fabricar seus produtos. Essas empresas também poderão importar os produtos prontos, já com as bulas traduzidas para o português. 

Apesar da não aprovação do plantio, Dib disse que hoje é um "dia muito importante. Temos muito o que comemorar aqui dentro da agência", afirmou. "O Brasil vai continuar sendo dependente de insumos. O objetivo de regulamentar o plantio era fazer plantio seguro, de qualidade e eficaz".

Dib acredita que, no futuro, o debate do plantio poderá voltar à agenda da Anvisa ou do Congresso Nacional. "O assunto não sairá da pauta.  O importante hoje é comemorar que as pessoas vão ter acesso. A classe médica vai poder receitar, o cliente vai poder comprar, e a Anvisa vai poder fiscalizar. Isso é um grande feito".

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O presidente da Anvisa afirmou ainda que, a partir do início do próximo ano, os remédios à base de maconha já devem estar disponíveis nas farmácias do País. Atualmente apenas um medicamento à base de maconha pode ser comercializado no Brasil. 

Dib rebateu as  críticas que vem recebendo de ministros do governo Jair Bolsonaro, que é contrário à medida. "Eu não defendo governo. Não protejo governo. Vim aqui defender a saúde da população. A Anvisa, sobre minha direção ou não, tem que fazer ciência. Não quer fazer proselitismo político".

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