Anvisa retira oferta do Cytotec, usado como abortivo, da internet

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) retirou do ar 20 diferentes páginas da Internet que anunciavam a venda do medicamento Cytotec, indicado para problemas gástricos, mas utilizado indevidamente como abortivo. A resolução da Diretoria Colegiada da Anvisa que trata do assunto seria publicada no Diário Oficial da União hoje, 27 de março. A ação de fiscalização da Anvisa, chamada de Scanner, se desenvolveu durante 72 horas. A equipe de fiscais da agência constatou que as pessoas que fazem a comercialização ilegal do medicamento hospedam seus anúncios em sítios de relacionamentos, fóruns virtuais de discussão e páginas temáticas ou individuais (blogs). Utilizam inclusive provedores de instituições que são declaradamente contrárias à prática do aborto. Outro aspecto que chamou a atenção dos fiscais da Anvisa é que o medicamento vendido nos sítios nem sempre é o produto de nome comercial Cytotec, produzido pelo laboratório Pharmacia Brasil Ltda. Alguns comprimidos são falsificados. Nas páginas retiradas do ar pela Anvisa existem ofertas chamadas de "Kit Aborto", com explicações de como se pode provocar a expulsão do feto e, além do comprimido, traz luvas descartáveis, cremes vaginais e antiinflamatório. A prática do aborto com o Cytotec pode trazer graves conseqüências para a saúde da gestante ou mesmo provocar a morte. As crianças que sobrevivem a esses episódios têm seqüelas graves e permanentes. Lançado no Brasil, em 1984, para tratamento e prevenção de úlceras gástricas e duodenais, o Cytotec tem como princípio ativo o misoprostol. Em 1998, o Ministério da Saúde restringiu a venda do produto apenas para hospitais credenciados. A Anvisa está encaminhando informações à Polícia Federal e ao Ministério Público a fim de que sejam instaurados procedimentos de investigação das responsabilidades cíveis e criminais.

Agencia Estado,

27 de março de 2006 | 12h30

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