Caudivino Antunes
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Prefeitura de Aparecida de Goiânia reporta 1ª morte pela Ômicron no Brasil

Paciente de 68 anos, que tinha doença pulmonar e hipertensão, já havia sido vacinado; Ministério da Saúde confirmou ter sido notificado sobre o óbito

Ítalo Lo Re, O Estado de S. Paulo

06 de janeiro de 2022 | 16h30
Atualizado 06 de janeiro de 2022 | 19h48

A prefeitura de Aparecida de Goiânia, cidade da região metropolitana da capital de Goiás, informou nesta quinta-feira, 6, ter registrado a primeira morte pela variante Ômicron no Brasil. O Ministério da Saúde confirmou que foi notificado sobre o óbito. Identificada pela primeira vez na África do Sul, a nova cepa do coronavírus é apontada como a principal responsável pelo aumento de casos de covid-19 em todo o mundo e tem ligado o alerta quanto ao possível avanço da pandemia no País.

A primeira vítima da variante, segundo a prefeitura de Aparecida de Goiânia, foi um homem de 68 anos, portador de doença pulmonar obstrutiva crônica e hipertensão arterial. Ele estava internado em uma unidade hospitalar da cidade. “O paciente era contactante de um caso que a pasta já havia confirmado como infecção pela variante. O homem estava vacinado com três doses”, informou a pasta.

Conforme apontado pelo Estadão, a infecção pelo coronavírus por pessoas que já completaram esquema vacinal não demonstra ineficácia da vacina. Especialistas apontam que o principal benefício dos imunizantes é evitar que a covid-19 evolua para quadros graves, mas reforçam que mesmo quem já foi vacinado pode ser infectado e transmitir a doença, sobretudo quando há altos índices de contaminação. 

Nos grupos mais vulneráveis, como idosos e imunodeprimidos, também há risco — ainda que pequeno — de que a infecção evolua para quadros graves ou óbito. Nesse contexto, a aceleração da vacinação é tida como uma estretégia coletiva, uma vez que pode frear a contaminação e, por consequência, impedir o aumento de mortes pela covid-19.

A identificação do primeiro óbito por Ômicron se deu pelo programa municipal de sequenciamento genômico de Aparecida de Goiânia, que tem feito a análise de amostras positivas de RT-PCR coletadas no município para mapear a informação genética e identificar as variantes do SARS-CoV-2 em circulação. Até o momento, 2,3 mil sequenciamentos já foram realizados na cidade, que já confirmou 55 casos de Ômicron. A prevalência da variante chegou a 93,5% dos diagnósticos positivos.

Avanço da Ômicron no País

A variante Ômicron tem avançado no Brasil. Uma análise de 2.463 amostras coletadas entre 26 de dezembro e 1° de janeiro constatou SARS-CoV-2 em 337 pessoas. Em 312 delas, o equivalente a 92,6% do total, houve indicação da infecção pela variante Ômicron. O levantamento, divulgado nesta quinta, é do Instituto Todos pela Saúde (ITpS) em parceria com os laboratórios privados Dasa e DB Molecular.

Diretor-presidente do ITpS e professor da Universidade de São Paulo (USP), o médico Jorge Kalil contou ao Estadão que a iniciativa surgiu em resposta ao apagão de dados do Ministério da Saúde, que há cerca de um mês dificulta a leitura do cenário pandêmico no Brasil. Segundo ele, o instituto, que visa a ampliar o sequenciamento genômico no País, firmou parceria com os laboratórios para, por meio de um reagente, identificar logo após a testagem se a variante coletada é a Ômicron.

"Se for pensar no valor epidemiológico (da amostra), é relativamente restrito, mas nós não temos dados no Brasil. Então, nós queremos ampliar a colaboração entre laboratórios públicos e privados que têm informação, já que nós estamos em um apagão de dados", disse Kalil. Dados reunidos pelo ITpS apontam que, no período de um mês, a positividade para SARS-CoV-2 das amostras analisadas subiu de 5% para 13,7%, o que seria um reflexo do avanço da Ômicron no País.

De 26 de dezembro a 1° de janeiro, os testes RT-PCR Especial, que são os que usam o reagente específico, apontaram a Ômicron em 80 municípios de 8 Estados brasileiros: Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. A variante também foi identificada no Distrito Federal.

Conforme Kalil, o objetivo é fazer o monitoramento samanalmente e, se possível, expandir a iniciativa para mais laboratórios, o que permitiria fazer análises mais completas do avanço da Ômicron. Um ponto positivo, ressalta, é que os testes abarcam quaisquer pessoas que procuraram os laboratórios participantes, e não apenas aqueles que, por exemplo, voltaram de viagens internacionais.

Dados da plataforma Gisaid apontam que, até aqui, o Brasil sequenciou 0,42% dos casos confirmados de covid-19. Na África do Sul, país que identificou a Ômicron em novembro do ano passado, o índice é de 0,76%. No Chile, o indicador está em 0,99%.

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