Tasso Marcelo/AE
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Apenas 10,9% das mulheres descobrem o câncer de mama em fase inicial

Pacientes do SUS esperam 188 dias entre diagnóstico e cirurgia; quem tem plano aguarda 15

Clarissa Thomé, de O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2010 | 19h35

RIO DE JANEIRO - Entre as mulheres diagnosticadas com câncer de mama, 45,3% descobrem a doença em estágio avançado e apenas 10,9% ficam sabendo da doença no início, quando a chance de cura é maior.

Além disso, as pacientes que se tratam pelo Sistema Único de Saúde (SUS) precisam esperar 188 dias, em média, entre o diagnóstico e a cirurgia - tempo que cai para 15 dias se a pessoa tiver plano de saúde.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 5, no Rio de Janeiro, durante o lançamento da campanha Outubro Rosa, movimento mundial de mobilização para prevenção do câncer do mama.

No ano passado, foram diagnosticados 49.343 novos casos no País, que custaram US$ 157 mil (R$ 262 mil). Em 2020, a previsão é de que o Brasil tenha cerca de 63 mil ocorrências, com custo estimado em US$ 208 mil (R$ 347 mil).

"Primeiro, nós lutamos pela aprovação da Lei 11.664/2008, que assegura o direito à mamografia [em mulheres acima de 40 anos]. Agora, queremos acesso ao diagnóstico e ao tratamento imediato", disse Maira Caleffi, presidente da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama).

"Precisamos de vontade política para mudar essa realidade, que causa milhares de mortes desnecessárias relacionadas à falta de investimento", acrescentou Maira. Ela fez um apelo para que as empresas abracem a causa e incentivem suas funcionárias a fazer o exame preventivo. "Todos os dias, 30 mulheres morrem no Brasil por câncer de mama. É preciso que as chances de 95% de cura cheguem a todas", afirmou.

O oncologista Ricardo Caponero, presidente do conselho científico da Femama, defende que o País aumente o investimento em saúde. "A Organização Mundial da Saúde recomenda 10% do PIB. O Brasil investe entre 2% e 3%", disse. Ele ressaltou também que aumento de recursos permitiria a oferta de medicamentos de ponta, aos quais as pacientes do SUS ainda não têm acesso.

Caponero citou o caso da vacina trastuzumab, que inibe a proteína presente em 20% dos casos de câncer de mama e é responsável pela evolução mais agressiva da doença. O medicamento, que custa R$ 7,5 mil por mês, é garantido pelos planos de saúde, mas não pelo SUS.

"Esse remédio melhora em 50% as chances de cura, é aprovado pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] e está disponível desde 2001, mas infelizmente não é oferecido em toda a rede pública", destacou o oncologista.

O lançamento do Outubro Rosa, que prevê a iluminação de prédios e monumentos, contou com a presença da estilista venezuelana Carolina Herrera, madrinha do projeto. Este ano, o Cristo Redentor, o Copacabana Palace e um shopping da zona sul do Rio ganharam luz especial.

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