Bruno Kelly/ Reuters
Bruno Kelly/ Reuters

Com alta demanda por oxigênio em Manaus, produção não chega a metade do consumo

A White Martins, fornecedora de oxigênio para a capital do Amazonas, ampliou sua capacidade de produção, mas não consegue suprir o consumo excessivo; outras empresas tentam ajudar

Maiara Santiago, Érika Motoda e Marina Aragão , O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2021 | 22h21

A White Martins, produtora de oxigênio hospitalar em Manaus, não está conseguindo suprir a “demanda exponencial” do sistema de saúde do Amazonas. Por isso, tenta viabilizar a entrega logística de suas outras plantas, incluindo uma na Venezuela. Empresas de outros setores também tentam colaborar com os hospitais locais.

A White Martins já levou sua produção ao limite, mas conseguiu apenas produzir metade do total necessário para atender os hospitais de Manaus. Em nota, a companhia diz que a demanda por oxigênio disparou cinco vezes nos últimos 15 dias, alcançando um volume de 70 mil metros cúbicos por dia. Na primeira onda da pandemia, entre abril e maio de 2020, o consumo de oxigênio alcançou um pico de volume de 30 mil metros cúbicos por dia na região. 

A fábrica da empresa, em Manaus, consegue produzir apenas 28 mil metros cúbicos por dia, operando já em sua capacidade máxima. No entanto, como a demanda tem crescido na região desde janeiro - e a tendência aponta para um aumento ainda maior de consumo de oxigênio no Amazonas, a companhia desloca, desde o começo do ano, cilindros de ao menos sete Estados diferentes. A operação conta com o apoio das forças armadas e de outras autoridades governamentais.

De São Paulo, 32 tanques criogênicos aguardam o apoio do governo para serem levados até o Amazonas, que nesta quinta-feira, 14, viu pacientes diagnosticados com covid-19 morrerem por asfixia, devido à falta de oxigênio. Além disso, a White Martins também diz já ter identificado a disponibilidade do insumo em suas operações na Venezuela e “atua para viabilizar a importação do produto para a região.” 

Nesse meio tempo, a empresa já comunicou que a produção de oxigênio nas fábricas vai se destinar apenas ao uso médico, suspendendo a venda do oxigênio comercial e que monitora o aumento da demanda no Amazonas. Além disso, a White Martins pediu para a Anvisa autorizar a flexibilização temporária, em caráter excepcional, do percentual mínimo de pureza do oxigênio produzido no Estado para 95%, o que pode aumentar a produção de Manaus em 2 mil metros cúbicos diários.

Outros setores

Empresas baseadas no Amazonas também tentam socorrer o sistema de saúde de Manaus doando oxigênio. "O oxigênio industrial não é tão puro para a saúde, mas o nosso fornecedor pode direcionar esse oxigênio para a saúde, em vez de envasá-lo para nós. A Whirlpool, então, procurou o governo e formalizou a doação para a saúde. Foram mais de 3 mil metros cúbicos de oxigênio. Tudo o que a gente podia liberar, já liberou. Outras empresas estão fazendo o mesmo", disse João Carlos Brega, presidente da companhia para América Latina. Segundo a Whirpool, 3 mil metros cúbicos de oxigênio são suficientes para manter 10 ventiladores por 1 mês de uso ininterrupto.

A regional da Moto Honda da Amazônia informou, em nota, que doou 14 cilindros, sendo 12 unidades para a Central de Medicamentos do Amazonas (CEMA) e duas para o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV). A utilização de oxigênio, segundo a empresa, se dá apenas em processos não produtivos, permitindo a doação adicional de mais oito unidades à CEMA - prevista para ocorrer nesta sexta-feira, 15.

"A Honda acredita que a união de esforços e recursos é a maneira mais eficiente para apoiar as comunidades e profissionais de diversos setores que seguem na linha de frente do combate ao Coronavírus. A iniciativa é voluntária e visa contribuir com o serviço de saúde local", disse a empresa.

Outra empresa que vai doar o seu oxigênio é a Samsung. A expectativa é que os cilindros fossem entregues à Casa Civil nesta quinta-feira.

Também houve uma reunião extraordinária nesta quinta entre a Secretaria de Planejamento do Estado e os associados do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam). O presidente do Cieam, Wilson Périco, pediu que as empresas que puderem ajudar com oxigênio entrem em contato com a entidade.

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