Apesar de surto, grávida insiste em ter filho em hospital público do DF

Pedido não surtiu efeito, pois hospital evita internações para prevenir infecção que matou 11 bebês

Agência Brasil

15 Novembro 2010 | 15h50

BRASÍLIA - A dona de casa Cristiane Santos Souza, grávida de nove meses, ignorou os casos de mortes por infecção hospitalar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Regional da Asa Sul (HRAS) e manteve a decisão de fazer o parto no local, nesta segunda-feira, 15. Porém, a insistência da gestante não surtiu efeito: por precaução, o hospital está evitando novas internações.

Cristiane afirmou que confiava no hospital porque havia dado à luz a primeira filha ali. Mas a mãe admitiu medo de o bebê ser contaminado. “Estou com muito medo, sim, mas vou fazer o quê? Vou correr o risco. Foi aqui que tive minha primeira filha e nem tentei ir a outro hospital”, disse a gestante.

O marido da dona de casa, Ronaldo da Silva Oliveira, lamentou a recusa do HRAS porque, segundo ele, a opção que o casal tem é outro hospital público perto de onde moram, na cidade satélite do Paranoá, uma das regiões pobres do Distrito Federal. “Aqui é melhor. Lá, o atendimento é precário”, comparou.

A UTI do HRAS foi atingida por um surto de três bactérias, que matou 11 bebês em 40 dias. Por segurança, a direção do hospital determinou o isolamento de seis bebês, enquanto 24 são mantidos em observação. Em todo Distrito Federal, há 81 leitos de UTI na rede pública, todos lotados.

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