Apesar do frio, crescem casos de dengue em São Paulo

O mês de junho termina com 373 casos de dengue contraídos na própria Capital (autóctones) - número dez vezes maior do que o total do ano passado e próximo ao de 2002, quando o País enfrentou o maior número de casos da doença. O frio do inverno mata os mosquitos transmissores da dengue, mas seus ovos ficam dormentes, depositados nas bordas de recipientes úmidos, capazes de resistir por mais de um ano e eclodir quando aumenta a umidade e a temperatura. A coordenadora de Ações de Combate a Dengue, Bronislawa de Castro, garante que não se trata de infecções em pleno inverno. Segundo ela, as novas notificações são de casos de maio e abril que só foram reportados agora. "Cada regional que sabe de um caso faz um trabalho de combate imediato, a formalidade é deixada para mais tarde", explica a coordenadora. De acordo com ela, foram 48 pessoas contaminadas em maio, 184 em abril e nenhuma em junho. "A dinâmica de São Paulo é essa, o pico da doença acontece sempre depois que as pessoas voltam de viagens no Carnaval", afirma Bronislawa, que também aponta o calor prolongado como vilão da dengue em 2006. São Paulo nunca teve dengue até 1998 quando ocorreram os dois primeiros casos. A maior alta ocorreu em 2003 quando os municípios vizinhos de Jandira e Itapevi enfrentaram uma epidemia. Como muitos moradores desses municípios trabalham na Capital, os Aedes aegypti daqui também se contaminaram e houve 760 casos contraídos na Cidade. Em 2006 um fenômeno novo ocorreu. Não há nenhuma epidemia no restante do País. O total de casos importados de outros estados e cidades é de 549, pouco maior do que o de autóctones. Além disso, pela primeira vez foi encontrada dengue de sorotipo 3 em São Paulo, que pode desenvolver formas hemorrágicas da doença em quem teve antes dengue de sorotipo 1 ou 2. Todos os anos, com a chegada do inverno, os mosquitos somem. Os Aedes não resistem a temperaturas abaixo de 11ºC. Bronislawa lembra, no entanto, que os ovos do transmissor não precisam de calor ou sequer água para sobreviver. "Por um ano eles podem resistir, por isso a nossa campanha de combate à dengue é permanente", diz.

Agencia Estado,

04 de julho de 2006 | 12h37

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