Sindifranca/divulgação
Sindifranca/divulgação

Após 23 dias de paralisação por causa do coronavírus, Franca reabre indústrias de calçados

Cerca de 3 mil empregados já estão de volta às fábricas na cidade que registra sete casos e uma morte pela covid-19

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2020 | 20h19

Após 23 dias de paralisação devido à quarentena imposta pelo coronavírus, pelo menos 40 indústrias de calçados de Franca, interior de São Paulo, voltaram ao trabalho na última segunda-feira. O retorno parcial às atividades industriais foi liberado por decreto pela prefeitura, com restrição aos trabalhadores de grupos de risco. Conforme o Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca (Sindifranca), cerca de 3 mil empregados já estão de volta às fábricas. A cidade, um dos maiores polos calçadistas do País, tem sete casos e uma morte confirmada pelo vírus.

O decreto permite que outras indústrias locais também retomem as atividades nos próximos dias. Conforme a prefeitura, as empresas com até 50 funcionários terão de adotar turnos de trabalho para evitar aglomeração. Já as indústrias maiores são obrigadas a apresentar um plano de segurança no trabalho atestado por médico. O sindicato informou que o cumprimento das normas está sendo fiscalizado. "Aos poucos, as indústrias devem retomar as atividades, ao menos aquelas que têm pedidos para entregar, como por exemplo, as que usam o comércio eletrônico", disse em nota.

A reabertura das fábricas causou reflexo no isolamento da cidade, de 353 mil habitantes. Para atender a demanda, a empresa municipal de transporte coletivo colocou mais ônibus em circulação. Ao menos seis linhas passaram a circular com mais coletivos. O movimento de veículos e pessoas nas ruas também aumentou "Agora, as indústrias de Franca esperam que, aos poucos, o comércio também volte às atividades, respeitando as regras de segurança para a proteção dos colaboradores e de clientes", informou o sindicato. Já a prefeitura não confirmou a reabertura do comércio antes do dia 22, quando termina o prazo de quarentena.

MORTES

Franca é uma das 73 cidades paulistas que já registraram mortes pelo coronavírus, conforme boletim desta terça-feira, 14, da Secretaria da Saúde do Estado. Os números mostram a crescente expansão da covid-19 em todas as regiões de São Paulo. Dos 645 municípios, 183 já tem ao menos um caso confirmado. Em Bragança Paulista, a cidade do interior com ação mais intensa do vírus - são 28 casos positivos e seis mortes confirmadas -, as regras do isolamento também foram afrouxadas. A prefeitura liberou o funcionamento dos hotéis e de feiras livres que estavam suspensas.

Em São José dos Campos, uma das cidades do interior com índice mais elevado de respeito ao isolamento social - 61%, na segunda-feira -, a prefeitura condiciona a retomada da atividade econômica ao grau de contaminação do vírus entre a população. Para isso, o município vai aplicar 600 testes rápidos para traçar um mapa estatístico das pessoas que tiveram contato com o coronavírus. A pesquisa será feita por um instituto especializado em indicadores de serviços públicos. Os testes serão aplicados por profissionais de enfermagem da Secretaria de Saúde.

Conforme a prefeitura, o mapa será usado para definir o que será feito após o dia 22, quando pode ter fim a quarentena na cidade. "Caso a contaminação pela covid-19 esteja sob controle, a prefeitura estuda flexibilizar algumas medidas de isolamento, para que a cidade retome a sua atividade econômica aos poucos", informou, em nota. A testagem permitirá desenhar um cenário da pandemia na população local, contribuindo para isolar os pacientes assintomáticos, que são vetores na disseminação do vírus. Os testes oferecem um diagnóstico a partir de uma gota de sangue em até 30 minutos.

Tudo o que sabemos sobre:
coronavírusFranca [SP]

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.