Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Após atingir 97% de ocupação em UTIs, Grande Florianópolis adota ações integradas

A partir deste sábado, 11, o acesso a praias e atividades físicas ao ar livre estão proibidos; bares e restaurantes ficam abertos até 23 horas

Fábio Bispo, especial para O Estado

10 de julho de 2020 | 17h35

FLORIANÓPOLIS - Municípios da Grande Florianópolis irão adotar medidas integradas para conter a escalada de infecção do novo coronavírus a partir deste sábado, 11. A decisão foi tomada nesta sexta-feira, 10, após a rede pública que atende a região atingir 97% de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para tratamento da covid-19. As novas medidas valem para os municípios de São José, Palhoça e Biguaçu, além da capital Florianópolis, e impactará cerca de um milhão de habitantes.

  Com as novas regras, o acesso às praias e atividades físicas ao ar livre estão proibidos. O horário de funcionamento do comércio também foi reduzido e há mais limitações para bares e restaurantes, que só poderão ficarem abertos somente até as 23h. O transporte público, que já foi retomado nas cidades, não foi incluído no acordo, e ficará a critério das gestões locais. Shopping centers funcionarão de segunda a sábado das 12 às 20 horas e com ocupação máxima de 40%.

A Grande Florianópolis tem 5.423 casos e 63 óbitos. Nas últimas semanas, as administrações locais divergiram sobre as regras de isolamento, que, desde 1º de junho, por força de decreto estadual, passaram a ficar por conta das prefeituras. O secretário de Saúde de Florianópolis, Carlos Alberto Justo da Silva, chegou a criticar a postura das prefeituras vizinhas, que mantinham regras mais frouxas que a Capital.

Durante reunião entre prefeitos e o secretário da Saúde do Estado, André Motta, nesta sexta-feira, foi prometida a ampliação de leitos. A expectativa é de que sejam criados entre 25 e 30 leitos na rede pública para atender a região. O secretário também sugeriu a criação de uma ala de terapia intensiva no Hospital de Biguaçu, município vizinho da Capital, com o apoio do governo estadual.

“Os municípios estão entendendo a proposta do Estado de descentralização das interferências de gestão conforme a necessidade. Essa discussão já tem mais de 30 dias e agora aproximamos muito o diálogo. Evoluímos bastante no entendimento do que se pode ou não fazer em termos de atividades sociais e econômicas”, afirmou Motta.

Questão política atrasou decisão, diz epidemiologista

A adoção de estratégias unificadas para conter o avanço do novo coronavírus em Santa Catarina já havia sido apresentada como melhor alternativa no início de abril pelo Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

No entanto, segundo avalia o epidemiologista e professor do Departamento, Lúcio Botelho, apesar de ser acertada, a decisão das ações integradas pelos municípios só foi adotada quando a situação chegou no limite. “A região da Grande Florianópolis é praticamente uma cidade só, e se temos o SUS [Serviço Único de Saúde] como exemplo de integração e que já funcionava em tempos normais, que funciona para cirurgias, transplantes e atendimentos, por que não valeria para o momento mais crítico? Essa medida tinha que ter sido implantada desde o início”, indicou. 

Botelho diz que não só em Santa Catarina, mas em todo o País, por causa da pandemia, a ciência passou a disputar espaço com achismos e interesses políticos. “Isso é reflexo de uma falta de liderança política que vem desde a esfera federal e passa também pelo Estado. Quando o governo catarinense entregou o poder de flexibilização aos municípios, ele lavou as mãos”, afirmou.

Esta semana, outras cidades catarinenses também atingiram ocupação máxima de leitos para tratamento da covid-19, como Joinville, Tubarão, Balneário Camboriú e Jaraguá do Sul. O Estado tem 38.404 casos confirmados da doença, um aumento de mais de 100% em um mês, e 447 mortes.

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