Divulgação/ Dasa
Divulgação/ Dasa

Após chegada da variante do coronavírus, Brasil deve ter aceleração no número de casos

Diretor médico do laboratório Dasa, Gustavo Campana, alerta para o potencial de infecção da nova linhagem do vírus e pede para que população mantenha os protocolos de saúde

João Prata, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2021 | 05h00

O diretor médico do laboratório Dasa, Gustavo Campana, alertou para o potencial de infecção da nova variante do coronavírus e pediu que a população brasileira mantenha os protocolos de saúde contra a doença. Após a confirmação de dois casos dessa nova linhagem em São Paulo, ele afirmou que a tendência é que aconteça uma aceleração do número de casos da doença no País.

Campana disse que um dos pacientes confirmou ter tido contato com pessoas que estiveram no Reino Unido, mas não soube dar mais detalhe sobre o estado de saúde de ambos, nem se estão isolados. "Não acompanhamos. A gente notifica o paciente e o médico." 

Na quinta-feira, 31, pesquisadores do laboratório de diagnóstico Dasa confirmaram dois pacientes positivos para o coronavírus da cepa B.1.1.7, a mesma detectada no Reino Unido e em diversos países do mundo, que tem maior potencial de infectividade.

Quais informações disponíveis sobre os pacientes que testaram positivo?

Quando suspeitamos desse caso, notificamos o Instituto Adolfo Lutz e a Vigilância Sanitária. Para fazer a pesquisa, precisamos de um termo de consentimento do paciente. Conseguimos contato e um dos pacientes que tivemos uma conversa sobre histórico, ele disse ter tido contato com pessoas que retornaram do Reino Unido. 

Eles estão sendo monitorados? Sabe se estão na capital paulista, se estão internados, se viajaram?

Não acompanhamos. A gente notifica o paciente e o médico.

É comum haver mutação do vírus, porque esse específico tem chamado a atenção?

Os testes, de maneira geral, procuram no material colhido da amostra respiratória do paciente três genes presentes no coronavírus. Um deles é o da proteína Spike, que é a que sofre mais alteração devido a mutação. No Reino Unido, perceberam que em muitos pacientes detectavam os outros dois genes e não detectavam esse. Foram então fazer uma avaliação de toda parte genética do vírus. Encontraram essa cepa específica com 23 mutações, sendo oito delas no gene Spike. Uma das características é que essa linhagem tem afinidade maior com o receptor que fica na parede da célula. Ou seja é como uma chave que faz o vírus entrar na célula e poder replicar. Se ele tem mais afinidade, tem potencial de infectividade. Isso faz com que seja mais transmissível. 

Em quanto aumenta o índice de transmissão?

Tem estudos do Reino Unido sobre porcentual que indicam um índice de até 56% de mais transmissibilidade. O índice R, de transmissão, que hoje está em torno de 1 no Brasil, com essa variante, pode aumentar em 0,4 e até 0,6. Observando que agora existe essa linhagem no Brasil é possível que acelere o número de casos diários. 

Acredita que devem mudar os protocolos de segurança?

As medidas de segurança e prevenção são iguais a qualquer linhagem que tenha de sars-cov 2. A preocupação está na forma de transmissão. Agora precisa haver uma maior preocupação com pessoas que voltem de países onde tem essa cepa. Os protocolos a seguir são os mesmos.

Existe a possibilidade de essa variante ser mais mortal ou influenciar na gravidade da doença?

Não há evidências ainda. A hipótese é que não traga maior letalidade e gravidade. Só aumento da transmissibilidade. 

As vacinas autorizadas pelos órgãos de saúde serão eficazes para essa variante?

Aparentemente sim. As vacinas que têm como alvo a proteína Spike de forma isolada e específica terão que ser avaliadas. Isso é algo que vamos conhecer a partir de agora. Aparentemente não há problema com nenhuma vacina. O vírus sofre muita mutação, é habitual. A tecnologia utilizada hoje nas vacinas vai permitir, em determinado momento, se ajustar a essas variações. É como a própria gripe. Vacinamos todo ano porque as cepas são diferentes. Para a virologia é algo habitual.

Há algum impacto nos testes diagnóstico?

Muitos testes olham especificamente para essa proteína S, a Spike. A maioria dos laboratórios já utiliza múltiplos genes como alvo. Você consegue detectar essa variante. Junto com a USP, estamos cultivando vírus para ter amostra suficiente e falar se pode impactar no teste ou não. O RT-PCR, os que usam múltiplos genes, não são afetados. Pelo contrário. Foi com esse teste que encontramos essa amostra.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.