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Após cirurgia, menina de 2 anos vê a mãe pela primeira vez

Nicolly Pereira, natural de Santa Catarina, passou por operação para um glaucoma nos EUA; momento foi registrado em vídeo

Miami Herald

28 Abril 2016 | 16h41

MIAMI - Durante toda a sua vida, a menina Nicolly Pereira, de 2 anos, não podia ver nem ouvir sua mãe. A garota brasileira, surda e cega, conhecia sua mãe por meio do toque, quando esta abraçava Nicolly ou tocava em seus cabelos castanhos. 

Mas, no mês passado, Nicolly contemplou os olhos cheios de lágrimas de sua mãe pela primeira vez. Um largo sorriso preencheu seu rosto e ela instantaneamente pressionou sua testa contra a da mãe e colocou suas mãos nos ombros dela. 

"A única palavra que pode ser usada para descrever esse sentimento é 'Deus', disse a mãe de Nicolly, Daiana Pereira, de 26 anos, no Bascom Palmer Eye Institute, em Miami, nos Estados Unidos. "Minha filha é livre agora. Ela agora brilha mais que antes. Ela se tornou uma referência para pessoas que não acreditavam em milagres".

Nicolly foi diagnosticada com um glaucoma pouco depois de seu nascimento. Médicos confirmaram que ela não podia nem ver a luz. Em Santa Catarina, Nicolly passou por sete cirurgias, que não tiveram sucesso. Mas quando Daiana publicou a história da menina no Facebook, o texto viralizou - mais de 30 mil pessoas começaram a seguir a missão de Nicoly de um dia enxergar.

Uma pessoa em Miami entrou em contato com o Fundo Kids International, da Fundação Jackson Health, que trabalha em parceria com a Fundação Kevin Garcia. Juntas, as organizações conseguiram mais de 17 mil dólares para pagar a cirurgia de Nicolly no Bascom Palmer. 

Alana Grajewski, diretora do centro de glaucoma pediátrico do instituto, realizou a cirurgia, que durou três horas, no dia 17 de março, e foi capaz de recuperar a visão da pequena Nicolly, algo que achava pouco provável. 

"Quando ela chegou, eu senti que eu havia cometido um erro porque, normalmente, quando as crianças chegam, têm algum tipo de visão mensurável", disse. "Nicolly não podia ver nada, nem uma luz".

A pressão ocular em crianças é normalmente de 10 a 20. A de Nicolly estava em 50. Alana disse que se sentiu desencorajada, mas manteve a esperança. 

Após a cirurgia, a pressão ocular de Nicolly caiu para 12. "No primeiro dia após a cirurgia, ela estava com tapa-olhos". Mesmo com a proteção, Nicolly percebeu que algo tinha mudado. Ela estava "sorrindo de orelha a orelha e cantando", disse Alana. 

Por meses, Daiana acreditou que sua filha também era surda, já que não falava ou caminhava. Mas após chegar aos Estados Unidos, Nicolly foi examinada por médicos da Universidade de Miami, que descobriram que ela tinha acúmulo de água no ouvido interno. Os médicos doaram o seu tempo e fizeram uma cirurgia para drenar a água, que durou cerca de 30 minutos.

"Eu sinto como uma 'missão cumprida', que existe um 'sim' para cada 'não' que eu recebi por dois anos quando me falaram que isso era impossível", disse Daiana. 

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