Governo do Estado de SP/Divulgação
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Após cogitar uso da PM, Doria diz que Vigilância Sanitária fiscalizará isolamento

Governador de SP disse ser 'boa notícia' taxa de isolamento ter subido para 59% no domingo, embora número esteja abaixo do que o Estado considere ideal, de 70%

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2020 | 13h51
Atualizado 22 de julho de 2020 | 09h48

SÃO PAULO - Depois de cogitar, na última quinta-feira, 9, o uso da Polícia Militar para garantir o isolamento social no Estado de São Paulo, o governador João Doria (PSDB) disse nesta segunda-feira, 13, em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, que serão agentes da Vigilância Sanitária que devem começar a visitar comércios e outros estabelecimentos não essenciais que insistem em ficar abertos em meio à quarententa contra o novo coronavirus. O que a PM fará é dar apoio a esses agentes.

Doria havia recebido críticas de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro após o anúncio da medida, classificada como autoritária, e chegou a ser alvo de um protesto na Avenida Paulista neste fim de semana. O governador disse que as críticas vinham de "pequenos grupos" e afirmou que não está "preocupado" com essas manifestações, "que têm espírito político".  "A elas, o meu distanciamento. Prefiro ficar com a medicina", disse Doria.

Serão 200 agentes de vigilância sanitária, que irão a locais já mapeados pelo Sistema de Monitoramento Inteligente (Simi), do governo estadual, que está listando os locais através de denúncias. Os agentes, segundo Doria, também irão orientar pessoas aglomeradas em locais públicos -- mas sem o estabelecimento de multa ou outras punições. Na capital paulista, epicentro da doença, a vigilância sanitária municipal reforçará a ação, e o Estado espera o mesmo dos demais municípios.

Doria disse que não comentaria entendimento da Procuradoria Geral da República e da Advocacia Geral da União de que caberia ao presidente da República decisões sobre o isolamento, não a governadores. Entretanto, afirmou que, no Brasil, são os Estados que coordenam, regionalmente, as ações de educação, saúde e segurança. "As incidências dos vírus não são iguais em todos os Estados", disse o governador, ao pedir manutenção do respeito ao pacto federativo. 

Isolamento social em SP fica em 59% no domingo

O governador classificou como "boa notícia" o índice de isolamento social no Estado ter atingido 59% no úlitmo domingo, 12, dia de Páscoa. O governador, o secretário da Saúde, José Henrique Germann, e o infectologista David Uip, que coordena o Centro de Contigência do Covid-19 em São Paulo, viram uma evolução no dado em relação a índices da semana passada (na quinta-feira, o índice foi de 47%, e foi subindo gradualmente até domingo).

"É um índice extremamente importante no mund democrático", disse Uip. Entretanto, o dado considerado ideal pelo próprio governo é uma taxa de 70% de isolamento no Estado, dado que ainda não foi atingido desde que esse monitoramento, feito a partir de informações de antenas das operadoras de celular, passou a ser feito, há duas semanas. 

A taxa ideal, segundo o governo, seria de 70% de pessoas isoladas em casa. Esse é o índice, segundo os técnicos, que é capaz de retardar o avanço da Covid-19 de forma a impedir o colapso do sistema de saúde, o que pode acarretar em um aumento expressivo do número de mortes. 

Uip, entretanto, afirmou que uma coisa seria comemorar o índice, mas outra é manter o alerta para a gravidade dos dados. Em São Paulo, nesta segunda, há 836 pessoas internadas em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) por causa do coronavírus.

"Foi uma boa resposta da população e eu tenho convicção de que a maioria dos brasileiros de São Paulo é a favor" das medidas de isolamento social, disse o governador. 

Na capital, que até a manhã desta segunda-feira tinha 445 mortos por causa da doença, o isolamento foi de 58%, abaixo da média do Estado. Em Guarulhos, cidade com o segundo maior número de mortos, 16, esse índice foi de 63%. O número representa o total de telefones celulares que não se deslocaram de uma antena de telefonia a outra, o que indica que a pessoa não saiu de casa ou se deslocou muito pouco.

Em Osasco, terceiro município com maior número de mortos, a taxa de isolamento foi de 62% no domingo. Lá, houve nove mortes até a manhã desta segunda-feira. Em Santos, no litoral, que já registra seis mortes, o isolamento foi de 58%. A cidade mais isolada do Estado é Ribeirão Pires, no ABC. Neste domingo, 72% dos moradores permaneceram em casa. Cubatão é a menos isolada: apenas 40% dos habitantes não se deslocaram, segundo os dados do governo.

No total, o monitoramento é feito nas 51 maiores cidades do Estado. 

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