Eduardo Cavalcante/ Seduc-AM
Eduardo Cavalcante/ Seduc-AM

Após colapso em maio, Amazonas retoma comércio, aulas, bares e igrejas

Estudo sugeriu que pico severo levou a uma imunidade de rebanho na capital amazonense; especialista alerta para a necessidade de se manter cuidados

Thaise Rocha, Especial para o Estadão

23 de setembro de 2020 | 05h00

MANAUS - Após ter sido um dos primeiros Estados do País a colapsar por conta da pandemia da covid-19, o Amazonas aparenta estabilidade no número de casos de coronavírus na capital e no interior. Desde o dia 1º de junho, o governo vem retomando gradualmente as atividades não essenciais em Manaus. Comércio (varejo e atacado), aulas presenciais na rede pública e privada de ensino, além de igrejas, bares e restaurantes já estão em pleno funcionamento na capital do estado.

Com a "normalidade", algumas pessoas estão relaxando nas medidas protetivas ao não usar a máscara de forma adequada, além de não respeitar o distanciamento social. As ações se refletem no aumento do número de casos em Manaus. No dia 20 de agosto, o total de pessoas internadas com casos confirmados era 166. Já no último domingo, 20, o número registrado foi de 198. No último sábado, 19, o Amazonas registrou 1.214 casos de covid-19, o maior número desde 23 de julho quando foram 1.498 infectados.  

O gerente comercial e motorista da Uber Ducidino Auzier, de 60 anos, já ouviu relatos de passageiros sobre parentes e amigos que não saem de casa por medo do coronavírus e até evitam contato físico com outros. Para ele, é necessário manter a precaução, mas sem deixar de continuar a vida. "Eu fui infectado por esse vírus e achei que fosse morrer. Não foi fácil, fiquei 14 dias em casa. Eu sigo todas as normas de segurança. Antes de entrar em casa, eu tomo banho na área de serviço. A roupa que eu estou usando já deixo lá para lavagem porque eu não quero entrar em casa e infectar meus filhos", disse ao mostrar os vidros de álcool em gel que sempre carrega consigo e apontando para a máscara no rosto. "Depois que eu peguei alta tentei levar uma vida normal porque a vida continua e nós temos que tentar desfrutar da melhor forma possível", declarou.

Já o universitário Gustavo Pierre, de 19 anos, vem se adaptando à nova realidade. Morando sozinho, Pierre procura ter atenção redobrada comparado ao período anterior à pandemia. Para ele, o cenário atual é melhor do que meses atrás. "Tem que ter um meio termo para tudo, tomar cuidado, mas não adianta ficar em casa preso e preocupado com o que vai acontecer. Às vezes é necessário também fazer algo diferente, além de ficar em casa preso e paranóico com esse tipo de coisa", declarou.

Retorno às aulas

Seguindo o ciclo previsto para retomada das atividades, as aulas presenciais seguem regulares na rede privada, já na rede pública há variações. No âmbito estadual, as aulas do ensino médio permanecem com modelo híbrido e dividido em dois grupos. Já o ensino fundamental segue exclusivamente com o programa "Aula em Casa", e a data do retorno presencial ainda está sendo estudada pelos órgãos públicos.

Na rede municipal, a volta das aulas presenciais também não possui data definida. Segundo a Secretaria Municipal de Educação (Semed), um plano com diretrizes pedagógicas está sendo executado neste segundo semestre. Com cinco fases, o plano prevê o funcionamento das unidades "como ponto de apoio aos professores e aos alunos como reforço ao fluxo de aprendizagem do ensino remoto, bem como aqueles que não possuem internet ou televisão, reduzindo dessa forma a desigualdade e ampliando a participação no projeto de ensino remoto", explicou em nota.

Estudo apontou imunidade de rebanho em Manaus

Um estudo realizado por cientistas brasileiros em parceria com pesquisadores internacionais apontam que Manaus pode ter alcançado imunidade de rebanho contra o novo coronavírus, uma vez que 66% da população teria desenvolvido anticorpos para o vírus. 

Em audiência pública realizada pela Comissão de Saúde e Previdência da Assembleia Legislativa, a diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), Rosemary Pinto, afirmou que houve redução de 29,4% nas internações por covid-19 no Amazonas. Além disso, a taxa de mortalidade também sofreu variações.

“Hoje somos o oitavo em incidência de covid-19. Em relação à mortalidade, já estivemos em primeiro lugar, na semana passada estávamos em quarto e hoje estamos em quinto lugar. A letalidade tem se mantido em 3% desde julho, com pequenas variações”, declarou.

Apesar disso, o aumento de casos do coronavírus em Manaus, nas duas últimas semanas, trouxe um alerta para a população. Para a FVS-AM, o aparente crescimento está relacionado à festas e aglomerações, além do abandono de medidas de prevenção, porém ainda não é considerado uma segunda onda do vírus.

Para a infectologista Dessana Chehuan, a situação ainda é delicada para se falar de estabilidade no número de casos e requer cuidados. "Ainda se tem um perfil bem definido do comportamento do vírus. E por conta disso, caso as pessoas precisem sair, os cuidados devem ser mantidos. Normalmente temos vistos que a população relaxou quanto aos cuidados de prevenção. É necessário fazer um alerta de que é preciso manter o uso contínuo de máscaras, dar preferência à lavagem das mãos com água e sabão e, se não for possível, sempre ter por perto o álcool em gel", orientou. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.