Governo do Estado de SP/Divulgação
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Após Doria comemorar aumento do isolamento social em SP, taxa cai para 50%

Dado do domingo havia sido de 59%; governo considera ser ideal que 70% das pessoas fiquem em casa para evitar colapso do sistema de saúde

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

14 de abril de 2020 | 18h14

SÃO PAULO - A taxa de isolamento social em São Paulo caiu para 50% na última segunda-feira, segundo dados divulgados na tarde desta terça, 14, pelo governo do Estado. A Secretaria Estadual da Saúde avalia ser necessário que ao menos 70% das pessoas permaneçam em casa para evitar o colapso do sistema de saúde. Estimativa divulgada nesta terça, data em que São Paulo atingiu o recorde de 87 mortes em um único dia, é a de que ao menos 100 mil paulistas já estajam infectados pelo novo coronavírus.

A queda vai em sentido oposto daquilo que havia sido comemorada como uma "boa notícia" pelo governador João Doria (PSDB) ontem. Na segunda-feira, Doria optou por comparar dados de isolamento de 59%, registrados no domingo de Páscoa, feriado, com os da quinta-feira anterior, dia útil, em que o índice de isolamento havia ficado em 47%. Dessa forma, o governador viu o que seria uma adesão maior da população ao isolamento e agradeceu. "As pessoas estão respondendo positivamente, dando provas de amor e de compreensão à vida", afirmou. Os dados da segunda-feira, entretanto, voltaram aos níveis da semana passada.

As estatísticas de isolamento social vêm sendo divulgadas nas entrevistas coletivas diárias que o governador faz no Palácio dos Bandeirantes, quando dá informes sobre novos casos de Covid-19 e anuncia medidas. Nesta terça, ele afirmou que os números ainda não estavam fechados e não os divulgou. Os números só saíram no fim do dia. O Estado questionou o Palácio dos Bandeirantes sobre explicações que o governador teria para a queda, e aguarda resposta. 

Na coletiva desta terça, Doria voltou a afirmar que poderia impor medidas mais duras para garantir o isolamento caso os índices baixassem muito. Na semana passada, ele chegou a citar uso da Polícia Militar e realização de prisões, mas baixou o tom na segunda, com os dados de domingo em mãos. O governador havia sido alvo de protestos de pessoas contrárias à medida, partidos de grupos de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, com quem vem travando uma guerra retórica desde o início da crise.

Em São Paulo, com o isolamento baixo, cerca de metade de todos os leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Estado já são usados por pacientes com sintomas da Covid-19. 

 

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