Prefeitura de Mendonça/divulgação
Prefeitura de Mendonça/divulgação

Após duas mortes, cidade de 5 mil habitantes tem toque de recolher em SP

Nenhum morador poderá sair de casa das 9 horas da noite às 5 da manhã seguinte, a não ser em caso de justificada necessidade

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2020 | 16h53

SOROCABA – Depois de registrar 58 casos positivos e a segunda morte pelo coronavírus, a prefeitura de Mendonça, cidade de 5.413 habitantes, no interior de São Paulo, decretou toque de recolher nesta quarta-feira, 24. Nenhum morador poderá sair de casa das 9 horas da noite às 5 da manhã seguinte, a não ser em caso de justificada necessidade. De acordo com o prefeito Antonino Caetano de Souza (SD), é uma tentativa extrema de conter o vírus. Só nesta terça-feira, 23, foram registrados 13 novos casos da doença – um deles resultou em morte.

 A cidade está na faixa laranja do Plano São Paulo de reabertura das atividades econômicas, mas o decreto restringe o funcionamento do comércio para 4 horas diárias, a fim de tentar conter a disseminação. Conforme o prefeito, as medidas terão validade até que a curva de novos casos da doença pare de crescer, o que deve acontecer apenas na segunda semana de julho. Sem leitos de UTI, a prefeitura se vê obrigada a mandar os pacientes mais graves para hospitais de São José do Rio Preto.  A cidade tem uma Unidade Básica de Saúde (UBS) que funciona 24 horas.

O avanço da covid-19 assusta os moradores. A segunda vítima, uma mulher de 53 anos, era muito conhecida na cidade, segundo o empresário Eduardo Barbosa, o “Du”, dono de um restaurante. “Fechei quando a pandemia começou e sobrevivo dando consultoria, mas para outros comerciantes está difícil.” Ele conta que o município tem prainhas formadas pelas barragens do Rio Tietê e grande quantidade de ranchos de pesca e casas de veraneio. “O fluxo de pessoas de fora é muito grande e no começo o pessoal não levou a sério. Era muita festa, churrasco e aglomeração. Deu nisso. Agora tem de fechar.”

A prefeitura informou que a prainha, a pista de caminhada e quadras de esportes estão fechadas. A fiscalização passou a percorrer condomínios de chácaras e ranchos para coibir festas e churrascos. Quem for apanhado sem máscara na rua paga multa de R$ 49,91, dobrada em caso de reincidência. Para o comércio que admitir pessoa sem o protetor, a multa inicial é de R$ 499,91. A vigilância epidemiológica faz a busca ativa de possíveis portadores, aplicando testes. O objetivo é detectar os casos e iniciar o tratamento de forma precoce, isolando o paciente. “Embora o isolamento de casos positivos seja obrigatório, estamos com várias famílias com 3 casos ou mais, o que indica que houve descuido”, afirmou o prefeito.

Mendonça não é a única cidade pequena do Estado em que a covid-19 se alastrou. Em Gastão Vidigal, com 4.808 moradores, foi registrado um recorde de 68 casos positivos e 10 mortes – um óbito a cada 480 pessoas, o que dá uma letalidade de 208,3 mortes a cada 100 mil habitantes, o maior índice de São Paulo. Em Estrela d’Oeste, com 8.208 habitantes, são 102 casos e 4 óbitos. Dos 645 municípios paulistas, 605 já registram ao menos um caso de coronavírus. Entre as vinte menores cidades, apenas quatro – Fernão, Arco Íris, Mesópolis e Nova Canaã Paulista – não têm casos positivos de coronavírus.

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