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Miguel Medina/AFP
Miguel Medina/AFP

Após eventos adversos raros, diversos países restringem uso de vacina Oxford/AstraZeneca

Itália, Espanha, Alemanha e Austrália fizeram limitações etárias para quem deve receber o imunizante; especialistas temem que desinformação atrapalhe campanha de vacinação

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2021 | 19h15

Após a Agência Regulatória da União Europeia (EMA) relatar que existe possível ligação entre a vacina contra covid-19 de Oxford/Astrazeneca a coágulos sanguíneos raros, diversos países restringiram o uso do imunizante. A preocupação de especialistas da saúde é que a onda de desinformação que se criou a partir dessa informação atrapalhe a campanha de vacinação em todo o mundo.

A Itália e a Espanha informaram que só aplicarão o imunizante em pessoas com mais de 60 anos. As regiões espanholas de Castilla e León decidiram suspender totalmente seu uso nesta quinta-feira, 8. A Dinamarca tomou a mesma decisão. 

A Bélgica reservou essas doses para quem tem mais de 55. O órgão consultivo de vacinas do Reino Unido foi menos restritivo, mas decidiu também desaconselhar a aplicação em pessoas com menos de 30 anos. A decisão é um revés para a campanha de imunização do país, cujo carro-chefe é justamente o produto da AstraZeneca. 

O principal órgão de saúde da França informou que na sexta-feira recomendará às pessoas com menos de 55 anos que já tomaram a vacina da AstraZeneca que recebam uma segunda dose de uma nova vacina, com outro RNA mensageiro. A Filipinas suspendeu o uso para menores de 60 anos e a Austrália para menores de 50.

A comissária de saúde da União Europeia, Stella Kyriakides, pediu que os 27 países do bloco "falem em uma só voz, baseado na ciência, para que não confunda os cidadãos e nem alimente a hesitação em se vacinar."  

Mas não é o que está acontecendo. Na tentativa de contornar o problema, a Alemanha informou nesta quinta-feira que deseja conversar com o governo russo para possível compra da Sputnik V, mesmo sem haver uma decisão da UE sobre esse imunizante.

"Expliquei ao Conselho de Ministros da Saúde da UE que discutiríamos bilateralmente com a Rússia para saber quando e qual quantidade poderiam nos entregar", informou o ministro da saúde alemão, Jens Spahn. Ele acrescentou que a decisão foi tomada porque a Comissão Europeia não demonstra intenção de comprar a Sputnik V em nome do bloco comunitário. 

Especialistas da saúde na Europa tentam transmitir para a população mensagens de que a vacina é segura, pois já foi relatado por médicos na França, Polônia e Croácia que as pessoas estão cancelando a vacinação com o imunizante da AstraZeneca. 

"Os riscos parecem ser extremamente baixos com efeito colateral muito raro", disse o médico Anthony R. Cox, da Escola Farmacêutica da Universidade de Birmingham à BBC. "Devo dizer que o risco é equivalente ao de alguém se afogar durante o banho ou de um avião pousar em sua casa", acrescentou.

A médica Sabine Straus, presidente do Comitê Regulatório de Segurança da UE, disse que os melhores dados eram da Alemanha, onda havia relato de coágulos para cada 100 mil doses administradas. No Reino Unido, segundo ela, havia ainda menos relatos. A agência de saúde europeia informou que a maior parte dos casos relatados foram em mulheres com menos de 60 anos dentro de duas semanas de vacinação, embora tenha sido capaz de identificar fatores de risco específicos com base nessas informações.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária não restringiu o uso da vacina de Oxford/AstraZeneca. A Anvisa, no entanto, orientou que o laboratório altere a bula do imunizante para que conste a informação de que podem ocorrer tromboembólicas com trombocitopenia. O pedido é para que isso conste no item "Advertência e Precauções" da bula da vacina.

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