Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Após fechar Pacaembu, Prefeitura de SP avalia deixar de usar leitos de hospitais privados

Número de pedidos de novas internações está em queda há quatro semanas, segundo Bruno Covas (PSDB)

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

29 de junho de 2020 | 12h55

Após a saída, nesta segunda-feira, 29 dos dois últimos pacientes que estavam internados no Hospital Municipal de Campanha do Pacaembu, na zona oeste de São Paulo, a Prefeitura da capital estuda se manterá ou não contratos com os hospitais privados da cidade para usar leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para pacientes com covid-19. O hospital de campanha do Pacaembu, que foi aberto no dia 6 de abril, foi fechado. Segundo a Prefeitura, foram atendidos no local 1.515 pacientes. 

 “Tivemos redução no número de novas internações nas últimas quatro semanas”, disse o prefeito Bruno Covas (PSDB), na manhã desta segunda, durante coletiva no estádio do Pacaembu, após as saída dos pacientes. A cidade, ainda segundo Covas, teve 11 pedidos de transferência de pacientes para a UTI neste domingo. No auge da crise, no mês passado, “o número chegou a ser entre 80 e 90” pedidos, ainda segundo o prefeito.

Dos 1.340 leitos de UTI existentes na cidade para o atendimento de pessoas infectadas pelo coronavírus, nesta segunda-feira, 29, 648 (53%) estão com pacientes – 510 em leitos da Prefeitura e 138 em hospitais particulares. Com 530 leitos públicos sem utilização, há dúvidas na gestão Covas se é preciso ainda manter os leitos na rede privada.

Cada leito da rede privada em utilização gera um custo diário de R$ 2.100 à Prefeitura. Os convênios com os hospitais privados são assinados por um período de 30 dias, e a maioria deles vence nesta terça-feira.

Nesta semana, os acordos ainda devem ser renovados, mas haverá uma nova avaliação de como a epidemia evolui na cidade até sexta-feira, quando o tema será avaliado em reunião. Se os contratos forem mantidos, a Prefeitura deve reduzir a quantidade de leitos solicitados aos hospitais particulares da cidade. No momento, estão disponíveis 190 leitos. 

A aceleração da covid-19 no interior traz duas preocupações aos técnicos da Saúde municipal. O primeiro é que as tendências de queda de internações e óbitos por coronavírus na cidade se alterem com a chegada de pessoas infectadas vindas das demais cidades do Estado. 

O segundo é que as cidades do interior, que têm uma taxa de leitos de UTI por habitantes muito menores do que a da capital, poderão ficar sem vagas para seus pacientes e terminar por transferir, por intermédio do governo do Estado, pacientes de suas cidades para a capital. 

Se isso ocorrer, a Prefeitura vem negociando com a gestão João Doria (PSDB) para que esses leitos ocupados com pacientes do interior não entrem na conta da taxa de ocupação das UTIs da cidade, uma vez que esse índice é um dos critérios usados pelo governo para definir a classificação da cidade, por cores, dentro do Plano São Paulo, o programa de reabertura econômica do Estado em meio à pandemia. 

Hospitais de campanha na capital

No hospital do Pacaembu, os equipamentos usados para atendimento dos pacientes serão transferidos. “Os equipamentos vão passar por um processo de sanitização”, disse o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido. Eles irão para os hospitais São Miguel, Cidade Tiradentes e Itaquera. Já o Estádio passará por um outro processo, em que luzes ultravioletas serão usadas para matar o vírus, segundo os técnicos. É um processo em que a luz é aplicada por cerca de 10 minutos em cada superfície a ser limpa. 

De acordo com a Prefeitura, a previsão de custo inicial do hospital, que contava com 200 leitos, era de R$ 28,4 milhões, mas o gasto final foi de R$ 23 milhões. Ainda segundo a gestão municipal, foram atendidos no local 1.515 pacientes. Desse total, 405 utilizaram a sala de estabilização (estrutura de terapia intensiva). Foram registradas três mortes no hospital de campanha do Pacaembu. O tempo médio de internação dos pacientes foi de cinco dias. 

Os dois últimos pacientes que deixaram o hospital de campanha do Pacaembu foram uma mulher de 61 anos e um homem de 55. Ambos saíram do hospital em meio a aplausos de funcionários do hospital. A mulher havia sido internada no dia 22 e ficou nove dias na UTI de um hospital particular conveniado. Já o homem passou 57 dias internado, e chegou a ficar na UTI do Hospital das Clínicas. Ele estava havia 12 dias no hospital de campanha. Os demais pacientes do local foram transferidos para o outro hospital de campanha da Prefeitura, no Pavilhão de Exposições do Anhembi. 

Além do Anhembi, a capital conta com hospitais de campanha no complexo do Ibirapuera e em Heliópolis.

Prefeitura estuda reabertura dos parques

A Prefeitura deve avaliar também, ao longo desta semana, a possibilidade de reabertura dos parques municipais na semana que vem, a partir do dia 6 de julho. “Não há proibição, necessidade de esperar a fase vermelha, laranja, amarela ou azul. É uma decisão da Prefeitura, e a decisão da Prefeitura é esperar”, disse Covas, ao comentar o tema. 

 

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