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Após morte de modelo, família poderá processar médico

Família aguarda resultado de laudo apontando causa da morte

Rubens Santos, especial para O Estado de S. Paulo,

03 Dezembro 2012 | 19h20

 A família da modelo Louanna Adrielle Castro Silva, de 24 anos, aguarda o resultado de um novo laudo, apontando a causa mortis e requerido junto ao Instituto Médico Legal (IML), em Goiânia, para decidir se processará por erro médico o cirurgião plástico Rogério Morale de Oliveira.

 

A jovem morreu no sábado, 1º, após duas paradas cardíacas, em Goiânia, durante a cirurgia no Hospital Buriti, para implantes mamários de silicone. O corpo foi enterrado domingo, em Jataí, a 322 quilômetros de Goiânia (GO).

Procurado, o médico que tem clínica no centro de Jataí e no Setor Marista de Goiânia, é graduado e especializado pela Universidade de Campinas (Unicamp), não atendeu a inúmeras ligações.

Vendedora autônoma e eleita miss Jataí Turismo no mês de maio, Louanna Adrielle pagou R$ 6,5 mil pela cirurgia de implante da prótese de silicone, e sofreu uma parada cardio-respiratória.

Pela ausência de UTI no hospital, ela foi transferida para o Monte Sinai, hospital distante 12 quilômetros, e não resistiu a uma segunda parada cardio-respiratória. As circunstâncias da morte e o atestado de óbito revoltaram a família.

Drogas - "O atestado diz que ela era usuária de drogas, cocaína e bala (ecstasy), o que teria provocado as duas paradas", disse Giuliano Cabral Chaves, futuro marido da Louanna, por telefone para O Estado. Eles viviam juntos havia cerca de dois anos e pretendiam se casar em 2013. "Ela era a minha princesinha: não usava drogas, só bebia suco de frutas e água, e detestava bebidas e drogas", revelou Giuliano. "Até brigava comigo quando eu tomava uma cervejinha", diz.

Desconfiado do erro médico, Giuliano Chaves pediu ao IML de Goiânia um novo exame, detalhando a causa mortis. "Não concordo com esse atestado, e não há como rejeitar a possibilidade de negligência médica", disse ele. "Porque, quando o médico acertou a cirurgia, garantiu ser o hospital equipado com UTI; mas deu a parada cardíaca, descobrimos que além de não ter a tal UTI ainda mandou a Louanna para outro hospital, alegando que lá, sim, tinha uma UTI", revelou.

"Tirou um pedaço" - Ainda emocionado com a morte da filha, os pais de Louanna Adrielle, a dona Deniia e "seu" Lourenço Adriano Silva, entendem que o atestado médico pode esconder a estratégia para livrar o médico de responsabilidades. "Mas eu quero justiça, vou lutar por justiça, o médico tirou um pedaço de mim", diz ele.

E a descoberta da não-existência de UTI gerou um sentimento de indignação: "Ele, o doutor, apostou na sorte", critica o marido da modelo. "Se não havia um mínimo de equipamentos para reanimação, em caso de parada respiratória ou cardíaca, não deveria realizar a cirurgia", acredita.

Lipoaspiraçâo - Vendedora autônoma, a jovem teria trabalhado duro para juntar cerca de R$ 4 mil e pagar parte da "cirurgia de seus sonhos". Ainda dividiu R$ 2,5 mil em prestações. "Ela vendeu perfumes e roupas de cama, mesa e banho para juntar o dinheiro", diz o marido, Giuliano Cabral, que registrou queixa na 5a. DP mas o inquérito foi transferido para a 11a. DP.

Uma amiga da modelo viajou com Louanna Adrielle para se submeter , tambem no sábado, à cirurgia de implantes mamários, lipoaspiração e correção no nariz. No entanto, o processo foi adiado pelo médico para o domingo. Mas, com a morte da modelo, a garota desistiu.

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